SÃO PAULO — O Masp abriu oficialmente, nesta sexta-feira, 11 de setembro, a passagem subterrânea que conecta os edifícios Lina Bo Bardi e Pietro Maria Bardi. O espaço permite que o público transite entre o prédio histórico e o anexo sem deixar o museu e abriga Pietrolina, obra imersiva de Beatriz Milhazes criada especialmente para o local.
O anexo Pietro Maria Bardi foi inaugurado em março de 2025. A nova passagem é batizada em referência ao casal fundador do Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand e transforma o deslocamento entre os edifícios em uma experiência artística.
Um percurso de cores e formas
Com cerca de 50 metros de extensão, a passagem recebe uma obra que se prolonga por aproximadamente 98 metros, ocupando as duas paredes. Em uma delas, a pintura de 60 metros reúne cores vibrantes e elementos geométricos. Na outra, 38 metros de elementos reflexivos dourados estão fixados sobre uma parede azul-marinho.
O ponto de partida do projeto foi um fragmento de Avenida Paulista, obra concebida por Beatriz Milhazes e doada ao acervo do Masp em 2020. O trabalho foi apresentado na exposição Beatriz Milhazes: Avenida Paulista, que permaneceu em cartaz por seis meses e reuniu mais de 170 obras.
A artista associou a composição à estrutura de um desfile de carnaval, com diferentes espaços funcionando como alas e combinando variações cromáticas, símbolos e formas. “A arte pode fazer você pensar diferente e a cor vai direto às suas emoções”, afirma Beatriz.
Construção e expansão do museu
O projeto da passagem estava em desenvolvimento desde 2019 e exigiu a aprovação do Iphan, do Metrô de São Paulo, da CET e da Siurb. Também foram necessárias alterações nas redes de água e esgoto, energia e telefonia.
Para evitar interferências na circulação da Avenida Paulista, a construção ocorreu de cima para baixo: primeiro foi feito o teto do túnel, seguido pela escavação. A obra foi liderada pelo METRO Arquitetos Associados, escritório responsável pelo anexo.
Regina Teixeira de Barros, curadora e coordenadora do acervo do Masp, afirma que a escolha do termo passagem ressalta a conexão entre os dois edifícios e a mudança de gestão do museu. Neste mês de setembro, Flávia Almeida, que era vice-presidente, assume a presidência no lugar de Heitor Martins, que permaneceu 12 anos no cargo.
A abertura também conclui o plano de expansão do Masp, que dobrou de tamanho com o novo edifício e a concessão do vão livre. A curadoria do espaço começou há cerca de dois anos, quando o museu decidiu atribuir uma função artística ao percurso. Adriano Pedrosa, diretor artístico do Masp, iniciou as conversas com Milhazes.
Para Beatriz, a obra aproxima o universo do Jardim Botânico, no Rio de Janeiro, de dois marcos paulistanos de sua trajetória: o Masp e a Avenida Paulista. A artista espera que os visitantes reduzam o ritmo e observem as relações entre cores, formas e simbologias ao atravessar o espaço.


