BELÉM — A jornalista e produtora cultural paraense Ursula Vidal lança nesta quinta-feira (24), às 19h, o livro “Em Tempo: 3.500 toques sobre gênero, política, cultura e Amazônia”. O encontro será realizado no Núcleo de Conexões Na Figueiredo, no centro de Belém. A obra é publicada pela Editora Travessia.
O livro reúne artigos escritos por Ursula entre maio de 2024 e junho de 2026 para uma coluna de jornal. Os textos nasceram da urgência dos acontecimentos, mas, reunidos em volume, estabelecem relações entre fatos, personagens e questões que atravessam o presente. O subtítulo remete ao espaço destinado à coluna, onde cabiam a notícia da semana, a reflexão e a necessidade de formular uma leitura sobre aquele momento.
“Em Tempo” é o primeiro livro de Ursula Vidal. A autora afirma que a escrita começou como parte de um processo literário e ensaístico iniciado cerca de 2 anos atrás, quando O Liberal abriu espaço para que ela publicasse reflexões semanais sobre assuntos, acontecimentos, personagens e efemérides em destaque.
Segundo Ursula, o trabalho exigiu a adaptação de uma comunicadora habituada à imagem e à voz ao enfrentamento da página em branco. Com o tempo, o fluxo da escrita ganhou método: os ensaios, embora de estrutura livre, passaram a incorporar análises comparativas, pesquisa de dados e estatísticas e uma tentativa de contextualizar cada acontecimento no tempo histórico e na crise civilizatória.
Quatro movimentos
A coletânea está dividida em quatro partes. “O avesso do silêncio” aborda mulheres, violência e estruturas de desigualdade. “Amazônia e outros futuros” trata do território amazônico, de sua história, contradições e possibilidades. “O mundo que nos atravessa” reúne textos sobre questões políticas, sociais e humanas. Já “O que permanece” se volta para memória, cidade, fé e cultura.
Nos artigos, a Amazônia aparece tanto nos debates sobre desenvolvimento e desigualdade quanto nas discussões sobre cultura, identidade e imagens de futuro construídas a partir da região. A jornalista Cristina Serra, responsável pelo prefácio, identifica nos textos uma escrita situada entre o jornalismo e o ensaio, com caráter de permanência.
“A escrita de Ursula parte do acontecimento, mas não termina nele”, afirma Cristina Serra. Para a jornalista, os artigos observam os dilemas e as encruzilhadas do presente. Ursula também atribui ao editor Pedro Gama, diretor da Editora Travessia, a sugestão do título e destaca as conversas mantidas durante o processo de edição, que incluiu a seleção dos textos e a divisão dos capítulos.
O lançamento ocorre no espaço Na Figueiredo, na Av. Gentil Bittencourt, 449, no bairro Nazaré, em Belém. O evento começa às 19h desta quinta-feira, 24 de setembro de 2026.


