Ritchie Blackmore, guitarrista do Deep Purple, afirmou que Paul McCartney é o melhor compositor surgido nos últimos cem anos. A declaração foi feita em 1987, em meio a críticas da imprensa musical ao ex-Beatle, e surgiu como reação a um texto que Blackmore havia lido na Melody Maker.
“Eles estavam simplesmente crucificando o cara, o melhor compositor que tivemos nos últimos cem anos”, disse o guitarrista. Na mesma fala, ele criticou os comentários sobre o dinheiro, o peso e a esposa de McCartney e imaginou que Beethoven poderia ter recebido tratamento semelhante em sua época.
A música clássica como referência
A comparação ajuda a evidenciar a relação de Blackmore com a música clássica. Embora tenha se identificado como roqueiro, o guitarrista incorporou referências eruditas à maneira de tocar e às próprias influências. Ele contou que, aos 16 anos, rejeitava esse repertório por ter sido obrigado a estudá-lo, mas depois passou a recomendar que os jovens dessem uma oportunidade à música clássica.
McCartney também reconheceu a importância dessa tradição em sua criação. Em 2024, em um texto publicado no próprio site, afirmou que Bach serviu de inspiração para a composição de “Blackbird”. O músico também mencionou sua admiração por Mozart e associou ao compositor a ideia de utilizar “as notas que se amam”.
A avaliação de Blackmore, considerada ousada em 1987, ganhou outra dimensão com o tempo. McCartney ainda era jovem demais para ser tratado como uma lenda e velho demais para ser visto como novidade, segundo a análise apresentada. Os números de vendas reforçam o alcance de sua trajetória: 527 milhões de discos com os Beatles e outros 116 milhões em carreira solo.


