O encontro entre os Beatles e Elvis Presley, em 1965, teve Paul McCartney como professor improvisado de baixo. O grupo visitou a casa do cantor em Bel Air durante uma turnê americana, e a música acabou criando uma aproximação entre o ídolo e um de seus admiradores mais conhecidos.
A reunião aconteceu em 27 de agosto de 1965. No início, a conversa não avançava muito. Presley, então, pegou um baixo e começou a acompanhar os discos que estavam tocando. McCartney percebeu que o anfitrião tentava aprender o instrumento e encontrou ali um assunto em comum.
Anos depois, o baixista relembrou a situação em entrevista ao escritor Tony Bacon. "Quando conhecemos Elvis, ele estava tentando aprender baixo. Então eu fiquei tipo: 'Você está tentando aprender baixo, é, meu filho? Senta aí, deixa eu te mostrar umas coisas'", contou McCartney.
O jornalista Chris Hutchins, que participou da organização do encontro, também relatou que Elvis passou parte da noite tocando baixo com a orientação de Paul. Em determinado momento, Presley resumiu suas limitações: "É assim que eu toco baixo. Não sou muito bom, mas estou aprendendo".
A reunião ganhou formato de jam informal quando John Lennon e George Harrison também pegaram guitarras. A cena contrastava com a trajetória de McCartney dentro dos Beatles: poucos anos antes, ele não queria assumir o baixo e só passou a ocupar definitivamente a função depois da saída de Stuart Sutcliffe.
Com o tempo, McCartney desenvolveu um estilo melódico associado à sua atuação no instrumento. Na mesma entrevista, mencionou James Jamerson como uma de suas grandes influências e falou sobre a força do baixo na construção do som de uma banda.
Naquela noite, a relação entre ídolo e fã mudou de posição por alguns minutos. Elvis continuava sendo uma referência decisiva para os Beatles, mas, diante de McCartney, aparecia como um músico aprendendo a lidar com um instrumento de quatro cordas.


