A disputa sobre quem administraria os Beatles foi apontada por John Lennon como a causa direta da separação do grupo. Em entrevista de 1971, o músico rejeitou a ideia de que Yoko Ono e Linda McCartney, esposas dele e de Paul McCartney, tivessem responsabilidade pelo rompimento.
Lennon defendia Allen Klein para o cargo de empresário, enquanto McCartney preferia Lee Eastman, seu sogro, e John Eastman, seu cunhado. O baixista não confiava em Klein; Lennon, por sua vez, temia que a escolha dos Eastman concentrasse o controle da banda nas mãos de McCartney.
“Não teve. A separação foi por quem iria nos empresariar, Allen Klein ou os Eastman”, afirmou Lennon. Na mesma declaração, ele disse que a ruptura já era inevitável desde o álbum Sgt. Pepper’s e voltou a associá-la ao conflito em torno dos empresários.
Lennon venceu a disputa, e Klein assumiu a gestão dos Beatles. O empresário havia prometido recuperar milhões de dólares que, segundo ele, foram perdidos em contratos desfavoráveis. Em 1973, porém, foi demitido e depois condenado pela Justiça a pagar milhões de dólares por má gestão. Mais tarde, Lennon reconheceu que McCartney estava certo sobre a escolha.
Os Beatles se separaram em 1969 e oficializaram o fim em 1970. No ano seguinte, os quatro integrantes ainda tentavam reorganizar a vida e a carreira em meio às mudanças da década.
A tensão interna havia se intensificado depois da morte de Brian Epstein, empresário e mentor do grupo, em 1967. Em 1968, os líderes criativos, já casados e com filhos ou prestes a tê-los, passaram a disputar espaço e poder. Também pesaram os relacionamentos de Lennon com Yoko Ono e de McCartney com Linda Eastman, o retiro espiritual na Índia e o fracasso do empreendimento empresarial hippie Apple. A distância entre os quatro e os conflitos acumulados se ampliaram a partir daí.


