Paul McCartney mantém uma relação afetiva com “One After 909”, composição antiga de sua parceria com John Lennon. Embora reconheça que a faixa não está entre as criações mais fortes da dupla, o músico a considera uma de suas favoritas. A avaliação foi registrada no livro “Many Years From Now”: “Não é uma grande música, mas é uma das minhas grandes favoritas.”
A canção surgiu no fim dos anos 1950, quando Lennon tinha por volta de 17 anos e compor ainda era uma atividade de adolescente. Em 1963, os Beatles tentaram gravá-la durante a sessão do terceiro single, “From Me to You”. O grupo precisava de repertório próprio, mas abandonou a tentativa depois de quatro gravações sem resultado satisfatório e da falta de tempo.
Nos anos seguintes, Lennon e McCartney deixaram para trás a dependência de versões de músicas de R&B e desenvolveram identidades próprias como compositores. O álbum “Rubber Soul”, de 1965, marcou uma mudança na direção criativa dos Beatles, sob influência de Bob Dylan. Depois, a banda avançou para a fase psicodélica de “Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band” e “Magical Mystery Tour”.
Ainda assim, “One After 909” voltou ao repertório nas sessões de “Let It Be”, em 1969. O resgate ocorreu por nostalgia, segundo as lembranças associadas ao período. Lennon afirmou em entrevista à revista Rolling Stone, em 1970, que havia escrito a música aos 17 ou 18 anos e que a composição remetia ao modo como ele e McCartney trabalhavam juntos.
O número nove também aparece em outras criações ligadas a Lennon, como “Revolution 9” e “#9 Dream”. O compositor relacionava a recorrência ao endereço em que morava e à própria data de nascimento.
Para McCartney, a música preserva a memória da juventude compartilhada com Lennon. Ele recordou as tentativas da dupla de criar uma faixa inspirada em trem de carga e blues e disse que os Beatles gostavam de tocá-la, embora não a apresentassem com frequência.


