“The Final Cut” ocupa um lugar controverso na trajetória do Pink Floyd. Lançado em 1983, o disco foi produzido em meio ao agravamento das divergências entre Roger Waters e David Gilmour, que mais tarde descreveu aquele período como um dos momentos mais difíceis da banda.
Em entrevista concedida em 1993, Gilmour afirmou que gostaria de eliminar da memória toda a fase posterior a “The Wall” e relacionada à produção de “The Final Cut”. “Toda a fase depois de 'The Wall' e a fase de 'The Final Cut' são um pesadelo na minha mente que eu gostaria de apagar da memória”, declarou o guitarrista.
A avaliação negativa já havia aparecido em 1984, quando Gilmour disse que o álbum estava distante do resultado que poderia ou deveria ter alcançado. Na visão dele, os conflitos internos deram a Waters controle praticamente integral sobre a produção e o direcionamento do trabalho.
Waters também recordou as sessões de gravação como uma experiência pouco agradável. Ao comentar o processo, mencionou “uma certa pessoa” que permanecia ao fundo jogando Donkey Kong enquanto dizia que o material era ruim. A referência era a Gilmour.
Apesar das críticas, Gilmour reconhecia qualidades em pelo menos um momento associado ao projeto. “When the Tigers Broke Free”, lançada originalmente em 1982, foi depois incluída em edições de “The Final Cut”. O guitarrista chegou a dizer, em tom de brincadeira, que a faixa talvez devesse integrar uma coletânea solo de Waters, tamanha era sua ligação com aquele período.
O álbum foi o último do Pink Floyd com Waters. Em 1985, ele deixou a banda, e o rompimento deu origem a uma disputa pelo uso do nome do grupo. Para Gilmour, a fase de “The Final Cut” permaneceu ligada a lembranças que preferia apagar.


