A causa humanitária que reuniu o Pink Floyd no Live 8, em julho de 2005, também colocou David Gilmour e Roger Waters diante de decisões criativas conjuntas pela primeira vez em 24 anos. Entre elas, estava a escolha de não incluir “Another Brick in the Wall” no repertório apresentado no Hyde Park, em Londres.
Gilmour considerava inadequada para aquela ocasião a mensagem antiautoritária da música, lançada em 1979. O guitarrista também afirmou não ter grande apreço pela faixa: “Não gosto muito dela. É ok, mas não faz parte da grande obra emocional”. Com apenas 20 minutos de apresentação, a seleção precisaria concentrar o sentido daquele reencontro.
O show fazia parte de uma iniciativa voltada a arrecadar dinheiro e chamar atenção para a pobreza, a dívida externa e a crise da aids nos países em desenvolvimento. Para Gilmour, esse objetivo deveria se sobrepor às divergências acumuladas entre os integrantes. “O momento era maior do que esses ressentimentos”, afirmou antes da apresentação.
A reunião parecia improvável depois do fim conturbado do grupo nos anos 1980. Waters havia deixado a banda para seguir carreira solo e se recusado a retornar. A separação chegou aos tribunais em uma disputa sobre o encerramento do Pink Floyd e a divisão dos direitos. Quando Bob Geldof começou a organizar o Live 8, Waters precisou pedir a ele o telefone de Gilmour.
Os ensaios trouxeram dificuldades musicais e reabriram conflitos sobre a condução do repertório. Nick Mason reconheceu o desafio de retomar canções depois de tantos anos: “Meio que se parte do princípio de que todos nós vamos lembrar como elas são”. Gilmour relatou que as músicas e os arranjos preferidos por Waters não coincidiam com suas escolhas, mas disse ter insistido em sua proposta.
O grupo subiu ao palco com “Breathe”, “Money”, “Wish You Were Here” e “Comfortably Numb”. “Another Brick in the Wall” ficou fora da apresentação, que marcou o reencontro de Gilmour, Waters, Mason e Richard Wright depois de uma longa separação.


