Em 2005, a reunião do Pink Floyd no Live 8 foi marcada por divergências entre David Gilmour e Roger Waters na escolha do repertório. A apresentação teria cerca de 20 minutos, e Waters queria incluir “Another Brick in the Wall (Part 2)”, um dos maiores sucessos comerciais da banda. Gilmour vetou a ideia.
A principal objeção estava relacionada ao contexto do evento, que chamava atenção para a pobreza e outros problemas enfrentados pela África. Para Gilmour, não seria apropriado apresentar crianças africanas cantando o verso “não precisamos de educação”. “Eu não achei apropriado”, afirmou posteriormente.
O guitarrista também disse que a faixa não estava entre suas preferidas do catálogo do grupo. “Eu não gosto muito dela. É boa, mas não faz parte daquele grande repertório emocional”, declarou. A discordância, portanto, envolvia tanto a adequação da música ao evento quanto a relação pessoal de Gilmour com a composição.
Waters havia sugerido ainda “In the Flesh”, enquanto “Money” permaneceu na seleção final. O repertório apresentado no Live 8 reuniu “Breathe”, “Money”, “Wish You Were Here” e “Comfortably Numb”. Gilmour considerava que essas canções funcionavam melhor para um reencontro atravessado por memória e emoção.
A negociação expôs que a presença dos quatro integrantes da formação clássica no mesmo palco não restaurava a dinâmica anterior do Pink Floyd. Gilmour afirmou que as músicas defendidas por Waters não eram as que ele julgava adequadas e que os arranjos também não correspondiam ao que o baixista queria.
A apresentação acabou sendo a última com os quatro integrantes da formação clássica juntos. Richard Wright morreu três anos depois, e Gilmour e Waters não retomaram uma parceria duradoura. Mesmo durante a breve trégua, a escolha de apenas quatro músicas bastou para reabrir divergências entre os dois.



