A década de 1990 foi marcada pela expansão do hardcore em direções distintas, da melodia associada ao youth crew à aproximação com o metal, o grindcore e o jazz. Entre os discos apresentados na seleção estão trabalhos de Sick of It All, CIV, Hatebreed e Botch, apontados como referências para compreender essas transformações.
Da tradição ao melodic hardcore
Lançado em 1994, Scratch the Surface, do Sick of It All, registrou a mudança na relação do gênero com as grandes gravadoras. O grupo, ligado ao NYHC, assinou com a East West, selo da Warner, movimento que provocou dúvidas entre fãs sobre uma possível adaptação ao som do Green Day.
A preocupação não se confirmou. O álbum manteve uma abordagem pesada e veloz, com faixas como “Scratch the Surface”, “Maladjusted” e “Step Down”. A divulgação desta última incluiu um videoclipe considerado pela Metal Hammer possivelmente o mais famoso da história do hardcore.
O CIV aparece com Set Your Goals, de 1995. Formado por integrantes de grupos influentes do youth crew, como Gorilla Biscuits e Youth of Today, o conjunto combinou ritmo punk, refrões concebidos para o canto coletivo e melodias com elementos pop. Entre as faixas destacadas estão “Can't Wait One Minute More”, “Boring Summer” e “So Far, So Good... So What”.
O disco também é associado às bases do boom do melodic hardcore, vertente que posteriormente revelaria nomes como H2O, Strike Anywhere, Avail e As Friends Rust.
Peso e experimentação
Em 1997, o Hatebreed lançou Satisfaction Is The Death Of Desire pela Victory Records, depois de ter lançado apenas um EP. O trabalho vendeu mais cópias do que qualquer outro álbum de estreia na história da gravadora e levou o grupo a abrir turnês de Slayer, Slipknot e Napalm Death.
Faixas como “Empty Promises” e “Before Dishonor” ajudaram a apresentar o hardcore a um público mais amplo. Quando a banda voltou com Perseverance, em 2002, já havia alcançado o estrelato, conforme a avaliação atribuída à revista.
Fechando os discos detalhados, We Are the Romans, do Botch, foi lançado em 1999. O quarteto de Tacoma, Washington, incorporou ao hardcore estruturas irregulares e influências de metal alternativo, grindcore e jazz. O álbum é apresentado como um marco para a música pesada de alta complexidade e imprevisibilidade.
Entre as faixas citadas estão “Saint Matthew Returns to the Womb”, “To Our Friends in the Great White North” e “Mondrian Was a Liar”. A influência do trabalho é relacionada a bandas como The Blood Brothers, Norma Jean, Zao, Drowningman, Vein.fm, seeyouspacecowboy, Frail Body, Show Me the Body e The Callous Daoboys.



