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Ensaios de grindcore em Fortaleza anteciparam formato do Tiny Desk

Entre 1994 e 1997, encontros semanais no Parque Araxá reuniram público para acompanhar ensaios de OBSKURE e SIEGE OF HATE.

Ensaios de grindcore em Fortaleza anteciparam formato do Tiny Desk
Foto: Reprodução

Entre 1994 e 1997, ensaios de bandas de metal extremo realizados em um escritório de advocacia no Parque Araxá, em Fortaleza, reuniam um público cativo antes da popularização de formatos musicais gravados em ambientes intimistas. Os encontros aconteciam aos sábados, no escritório do advogado Assis Mendonça, na rua Azevedo Bolão, 733 – altos, com happy hour no térreo, onde funcionavam o Bar do Ney ou a Bodega do Gilson.

A comparação é feita a partir da circulação de um vídeo da banda britânica NAPALM DEATH, publicado nas redes sociais desde 15 de julho de 2026. O registro chegou a quase 1,5 milhão de visualizações e foi associado à plataforma Tiny Desk por apresentar, em um cenário de escritório, uma banda ligada ao grindcore-death, também chamado deathgrind.

Os ensaios no Parque Araxá

Naquele período, o público acompanhava a preparação do OBSKURE para a gravação de seu álbum de estreia, “Overcasting”. Depois, os encontros passaram a incluir ensaios do SIEGE OF HATE (S.O.H.), com as músicas que formariam a primeira demo-tape do grupo, “Return to Ashes”.

O Tiny Desk foi criado pela rádio estadunidense RPR, em 2008. A versão brasileira começou em outubro de 2025, com uma apresentação do cantor pernambucano João Gomes. Na sequência, participaram nomes como Péricles, Céu, Metá Metá e Ney Matogrosso. O formato registra apresentações em estúdio que simula um escritório, em uma proposta intimista.

A diferença entre as reuniões cearenses e os registros atuais estava também na relação com o público. Os ensaios do OBSKURE podiam gerar vídeos esporádicos, mas dependiam da presença física, do contato direto e da convivência entre os participantes. Naquele momento, a internet ainda dava os primeiros passos no Brasil; blogs, fotologs e coletivos digitais se espalhariam nos anos 2000, antes da chegada de plataformas como Orkut, Facebook e Youtube.

Durante o período pandêmico, entre 2020 e 2022, apresentações transmitidas pela internet se multiplicaram, com lives e festivais sem público nos locais de gravação. A trajetória desses formatos é relacionada à expansão dos smartphones e tablets, à busca por likes e visualizações e à substituição de encontros presenciais por interações virtuais.

Amaudson Ximenes Veras Mendonça é fundador do OBSKURE e da Associação Cultural Cearense do Rock (ACR), além de sociólogo e pesquisador.

Texto produzido pela Redação Vozes da Cena com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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