A força de Janis Joplin aparece em “In Concert” menos como uma demonstração de técnica vocal do que como uma experiência de palco. Lançado pela Columbia em 1972, o álbum duplo reúne gravações realizadas entre 1968 e 1970 e coloca em contraste as duas bandas que acompanharam a cantora em fases distintas de sua carreira.
Janis morreu em outubro de 1970. O primeiro disco de “In Concert” registra sua passagem pelo Big Brother and the Holding Company, em apresentações marcadas por um som mais áspero e caótico. O segundo se concentra no período com a Full Tilt Boogie Band, quando a dinâmica das performances e a forma de conduzir o repertório haviam mudado.
Um documento de diferentes fases
A montagem não foi apresentada pela Columbia como uma coletânea ao vivo comum. O material foi reunido por Elliot Mazer a partir de shows realizados em Detroit, San Francisco, Toronto e Calgary. As falas de Janis entre as músicas também foram preservadas, sem edição, o que mantém no álbum parte da espontaneidade das apresentações.
A recepção em 1972 destacou justamente essa variedade. Em maio de 1972, a Billboard afirmou que o disco capturava a “magia indefinível” da cantora e chamou atenção para a presença de duas formações diferentes em momentos diversos de sua trajetória.
A singularidade de Janis, porém, não se explicava apenas pela potência da voz. Sua formação passava pelo blues e pelo folk, e a própria cantora dizia ter encontrado sua identidade vocal depois de tentar imitar Odetta em uma festa. Em entrevista de 1969 reproduzida na American Songwriter, ela contou: “Eu nunca tinha cantado antes e saiu essa voz enorme”.
Décadas depois, Stevie Nicks descreveu o impacto de assistir a uma apresentação de Joplin: “Ela tinha uma conexão com o público que eu nunca tinha visto antes.” Nicks afirmou que aquela experiência mudou sua vida e influenciou sua maneira de pensar a relação entre artista e plateia.
“In Concert” não documenta uma única noite perfeita. Ao reunir improvisos, imperfeições, excessos e mudanças de humor, o álbum preserva uma cantora imprevisível, cuja presença não se reduzia ao alcance vocal. Mais de meio século depois, o disco permanece como registro de uma comunicação direta entre Janis, a música e quem a ouvia.



