Jimmy Page, guitarrista do Led Zeppelin, colocou Ritchie Blackmore acima de si quando o assunto é improvisação ao vivo. Para Page, a capacidade do músico associado ao Deep Purple de reagir ao palco e desenvolver solos diante de grandes plateias ultrapassava até a de instrumentistas tecnicamente preparados.
"Quando se trata de um solo, eu não chego aos pés dele", afirmou Page ao falar sobre Blackmore. A declaração expressa a admiração pela liberdade do guitarrista, que podia conduzir apresentações por caminhos imprevisíveis sem perder a força de sua execução.
Respeito entre guitarristas
Page e Blackmore vieram do cenário londrino que também revelou nomes como Eric Clapton, Jeff Beck e Big Jim Sullivan. Embora tenham seguido caminhos distintos, os dois construíram reputações ligadas à personalidade musical e à capacidade de transformar suas referências em abordagens próprias.
Durante uma conversa na Universidade de Oxford, em 2016, Page retomou a comparação e disse que não conseguia competir com Blackmore "na arena dos shows ao vivo, em termos de improvisação". A avaliação se referia especificamente à performance diante do público, campo em que o guitarrista do Led Zeppelin via uma qualidade singular no colega.
Blackmore contou que, em um encontro em Hollywood, Page se aproximou para perguntar onde ele havia aprendido determinados fraseados. O episódio foi entendido por Blackmore como um elogio expressivo, vindo de um guitarrista que também dominava profundamente o instrumento.
A admiração, no entanto, não era totalmente recíproca. Blackmore reconheceu a força de Page como compositor e produtor, mas não o tratava como um guitarrista acima de qualquer crítica. Em entrevistas antigas, classificou-o como um músico "estranho" e, ao mesmo tempo, destacou a combinação de talento, personalidade e visão de estúdio que o tornava singular.
As diferenças entre os dois também aparecem em suas linguagens musicais. Page desenvolveu o Led Zeppelin a partir de textura, peso e liberdade. Blackmore adotou uma abordagem mais agressiva e imprevisível, aproximando blues e música clássica de explosões de improvisação. Para Page, contudo, a distinção era clara quando o estúdio dava lugar ao palco: naquele terreno, Blackmore ocupava uma posição superior.



