Joan Jett foi alvo de cusparadas e insultos durante uma apresentação na Espanha, em uma turnê que reunia Joan Jett & The Blackhearts, Scorpions e o grupo local Rosa Negro. A cantora afirmou que o episódio começou depois de uma decisão tomada nos bastidores e de uma versão falsa atribuída a ela.
Em conversa com a SiriusXM, Jett contou que, na segunda noite do evento, o Scorpions queria visitar uma exposição de automóveis e, por isso, decidiu reduzir a programação. O Rosa Negro acabou retirado do show, mas os alemães teriam informado ao público que a mudança ocorreu porque Jett não queria dividir o palco com outra banda liderada por uma mulher.
A justificativa provocou a reação dos fãs locais. Jett disse à Loudwire: "Naquela noite fui bombardeada com cuspe". De acordo com o relato, pessoas bêbadas prepararam as cusparadas e passaram a mirar a cantora enquanto ela se apresentava. Fotografias registraram Jett coberta pelo material, inclusive com resíduos presos à guitarra. Mesmo sob hostilidade, ela permaneceu no palco.
O guitarrista Ricky Byrd também descreveu a passagem pela Espanha em entrevista à Guitar World, em 2025. Segundo ele, a plateia acusou os músicos de terem roubado equipamentos do grupo de abertura. Uma bateria de nove volts atingiu Byrd acima do olho.
A experiência se somou a outros relatos de resistência enfrentados por Jett na estrada. Ela já disse que integrantes do Rush riam das Runaways ao lado do palco e que músicos do Molly Hatchet reclamavam por precisar abrir para uma mulher. Sobre o Scorpions, afirmou: "Eles estavam irritados porque eram uma banda alemã e nós éramos maiores na Alemanha do que eles".
Anos depois, ao tomar conhecimento do que teria desencadeado a agressão do público, Jett falou em carma e disse que os deuses do rock and roll fariam seu julgamento. Para a cantora, os episódios tinham em comum a recusa de parte do meio musical em aceitar mulheres em espaços associados aos homens.

