Em 1993, Kurt Cobain afirmou que a fase experimental do U2 transformava o rock em uma “piada doentia”. A declaração ocorreu enquanto as duas bandas circulavam pelo mundo, lotavam shows, lançavam clipes na MTV e vendiam milhões de discos, embora apresentassem propostas artísticas muito diferentes.
Dois anos antes, U2 e Nirvana haviam ocupado posições centrais na música. O U2 se reinventara com a incorporação da música eletrônica em Achtung Baby, enquanto o Nirvana ampliara seu alcance com Nevermind. Em 1993, o U2 prosseguiu nesse caminho com Zooropa, e o Nirvana lançou In Utero, que acabou sendo seu último álbum de estúdio.
Para Cobain, a banda irlandesa havia levado a ironia sobre o rock a um ponto que ele não pretendia alcançar. “Eu ainda sou um fã de música séria”, disse o vocalista do Nirvana, ao contrastar sua postura com a transformação do show do U2 em um espetáculo de vaudeville kitsch e de sarcasmo diante do próprio gênero.
A crítica também se relacionava à presença política de Bono nos palcos. O cantor ficou conhecido por transformar as apresentações do U2 em espaços para discursos políticos. Cobain afirmou que, embora fosse politicamente consciente desde os 17 anos e tivesse pichado paredes, não queria adotar uma atitude tão chamativa.
O músico mencionou ainda mensagens contra o machismo, o racismo e a situação da Bósnia como parte do conteúdo que aparecia nas falas do Nirvana. Entre as frases que dizia ter pichado estavam “Nixon matou Hendrix” e “Deus é gay”.
Em Aberdeen, cidade onde cresceu, a segunda inscrição foi coberta com tinta pelas autoridades no dia seguinte. A frase acabou incorporada à letra de “Stay Away”, faixa de Nevermind.



