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A canção que encerrou o bloqueio criativo de Bob Dylan

“Like a Rolling Stone” surgiu durante a adoção de instrumentos elétricos por Dylan e devolveu sentido ao compositor sobre a própria obra.

A canção que encerrou o bloqueio criativo de Bob Dylan
Foto: Sony

“Like a Rolling Stone” marcou uma ruptura na trajetória de Bob Dylan não apenas pela mudança sonora, mas porque devolveu ao compositor a possibilidade de se reconhecer no próprio trabalho. Gravada em 1965, a faixa apareceu durante uma transição que provocou resistência entre parte de seus fãs.

A música descreve a queda de uma personagem em desgraça. Sem rumo e sem casa para onde voltar, ela é retratada por Dylan em tom de deboche. O compositor já havia escrito canções com esse tipo de acidez, mas identificou naquela composição uma força diferente. Depois que o público a ouviu, sua carreira não retornou ao período mais inocente do folk.

A reação negativa estava ligada à presença das guitarras elétricas. Milhares de fãs acusaram Dylan de ter abandonado suas origens ao adotar uma instrumentação associada ao rock, então visto como entretenimento descartável. O volume e a agressividade dos instrumentos, porém, ampliavam o peso da letra. A própria faixa também dirigia farpas ao establishment do rock, ao questionar o destino de pessoas que haviam conquistado o mundo.

Da exaustão à identificação

Meses antes, Dylan havia gravado “Bringing It All Back Home”, primeiro disco de sua carreira a incluir instrumentos elétricos em suas faixas. Ele acompanhava o trabalho de The Beatles e The Rolling Stones e pretendia incorporar parte daquele vocabulário ao repertório.

Em declaração resgatada pela Far Out Magazine, Dylan afirmou que atravessava um período de esgotamento criativo quando escreveu “Like a Rolling Stone”. “Mas 'Like a Rolling Stone' mudou tudo. Quero dizer, era algo que eu mesmo podia curtir”, disse. Para o compositor, era desgastante receber elogios de outras pessoas quando ele próprio não se identificava com o que havia produzido.

Antes de se consolidar como compositor, Dylan já demonstrava interesse pela dimensão poética da música e admirava Woody Guthrie pela capacidade de criar canções definitivas com poucas palavras. Essa economia contrastava com os primeiros singles do próprio Dylan, marcados pelo excesso de versos. Em 1963, quando já era apontado como um dos grandes inovadores de sua geração, sua obra foi usada como trilha da Marcha sobre Washington.

Texto produzido pela Redação Vozes da Cena com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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