A discussão entre amplificadores tradicionais e simuladores digitais voltou ao centro do debate entre guitarristas após Rick Bonadio criticar processadores e IRs em um podcast. Marcelo Barbosa, guitarrista do Angra, comentou o tema em um vídeo publicado em seu canal no YouTube e afirmou que muitas comparações partem de uma premissa equivocada.
Para Barbosa, não é possível avaliar qual tecnologia é superior sem definir o que está sendo comparado. O som produzido por um amplificador valvulado diante de uma caixa envolve o power amp, o falante, a construção da caixa, o deslocamento de ar e a interação com a sala e seus materiais. Na gravação, porém, o microfone fica próximo ao falante e registra apenas uma parte desse conjunto.
Por isso, o músico considera inadequado colocar alguém diante de uma caixa 4x12 e, em seguida, comparar essa experiência com um Neural DSP Quad Cortex conectado a um monitor de computador. O teste, segundo ele, deveria reproduzir as condições de uma gravação: o amplificador seria colocado em uma sala isolada, microfonado e ouvido pelo mesmo caminho de sinal usado para escutar o simulador, como a mesa, o monitor ou o fone de ouvido.
Barbosa também questionou vídeos que colocam lado a lado um amplificador regulado de acordo com a preferência do proprietário e um preset de fábrica, às vezes baseado em outro modelo. Ele propôs que o amplificador fosse timbrado, capturado em um Quad Cortex ou Kemper e comparado com a captura pela mesma monitoração e no mesmo volume, sem que os participantes soubessem qual opção estavam ouvindo. “Aí você realmente está avaliando a tecnologia”, afirmou.
O guitarrista ressaltou que capturas do mesmo equipamento também podem apresentar diferenças. Três versões de um Soldano SLO-100, por exemplo, podem variar conforme a caixa, o falante, o microfone, a regulagem e o estado das válvulas. Uma captura não reproduz simplesmente o modelo do amplificador, mas aquele equipamento em uma regulagem específica e dentro de uma cadeia de sinal determinada.
No palco, Barbosa apontou a consistência como uma vantagem dos sistemas digitais. Com o preset pronto, o sinal enviado ao PA pode permanecer essencialmente igual em diferentes apresentações, de Brasília a São Paulo, Santiago e Tóquio. Fã de amplificadores, ele reconheceu que os processadores não reproduzem a sensação física de tocar diante de uma caixa em alto volume, mas defendeu que a comparação considere a finalidade: tocar em uma sala, gravar, sair em turnê, enviar um sinal consistente ao PA, recuperar uma sessão ou ganhar praticidade.


