A versão de “O Calhambeque”, gravada por Roberto Carlos e Erasmo Carlos, tornou-se o maior sucesso do cantor em 1964 e ajudou a transformá-lo em um nome conhecido em todo o Brasil. A faixa ocupava a sétima posição no álbum “É Proibido Fumar”, lançado pela CBS em agosto daquele ano.
A história da música foi abordada em um vídeo publicado pelo canal de Júlio Ettore. A origem está em “Road Hog”, canção lançada em 1962 pelo americano John D. Loudermilk. Erasmo encontrou a gravação ao pesquisar discos importados no acervo de uma editora musical carioca. Sem falar inglês, ele criou uma nova narrativa a partir da buzina presente na introdução: um rapaz que troca o Cadillac por um carro velho.
Roberto Carlos aceitou a ideia imediatamente. “Tive a intuição de que aquele carro antigo poderia empolgar a juventude”, afirmou o cantor em declaração reproduzida na biografia “Roberto Carlos em Detalhes”. Nas sessões realizadas em junho de 1964, exigiu um arranjo próximo do original, com violão e introdução falada. Como a CBS não tinha o efeito sonoro em seu catálogo, o técnico Eugênio de Carvalho pediu a buzina a um sonoplasta da Rádio Nacional. O recurso foi retirado dos relançamentos atualmente disponíveis no streaming.
A consolidação de Roberto Carlos
O caminho até o sucesso havia sido marcado por recusas. Natural de Cachoeiro de Itapemirim, Roberto passou três anos enfrentando portas fechadas. Foi demitido da Polydor e rejeitado por Chantecler, Continental, RCA Victor, Odeon, RGE, Copacabana e Philips, até que Carlos Imperial conseguiu para ele um contrato com a CBS.
A oportunidade surgiu depois que Sérgio Murilo, então o segundo nome do rock nacional, entrou em conflito com a direção da gravadora e foi afastado. Erasmo, que trabalhava na adaptação de sucessos americanos, entregou a versão de “Splish Splash”, de Bobby Darin. O compacto teve bom desempenho no Rio e no Nordeste, mas não alcançou São Paulo. A entrada no mercado paulista veio com “Parei na Contramão”, primeira composição própria da dupla a fazer sucesso, quando Roberto ainda trabalhava como funcionário público.
A gravação de “O Calhambeque” também exigiu insistência no estúdio. Roberto repetiu a risada próxima do fim da faixa várias vezes, em uma época em que as correções dependiam de cortes precisos na fita. Na 18ª tentativa, decidiu usar a segunda gravação.
A música não chegou ao primeiro lugar porque Giane liderava as paradas com “Dominique”, mas comandou a lista dos discos mais vendidos em São Paulo em outubro de 1964, à frente de “Twist and Shout”. Em Curitiba, fãs quebraram a vitrine de uma loja para tentar ver o cantor de perto.
Erasmo só lançou seu primeiro compacto em 1964, pela RGE, com “Jacaré” e “Terror dos Namorados”. No ano seguinte, publicou o primeiro LP, impulsionado por “Festa de Arromba”. Com a aposentadoria precoce de Celly Campello, Roberto, Erasmo e Wanderléa passaram a apresentar o programa “Jovem Guarda”, na TV Record, que daria nome ao movimento.


