Aos 11 anos, Robert Smith teve uma experiência decisiva ao ouvir The Cry of Love, álbum póstumo de Jimi Hendrix lançado em 1971. Com os fones no volume máximo e um aparelho de som de alta qualidade, o músico britânico foi tomado pela amplitude da gravação em estéreo.
“Eu me lembro de ouvir 'The Cry of Love' pela primeira vez num aparelho de som realmente bom quando tinha 11 anos”, afirmou Smith. Ele descreveu a experiência como um contato com uma “imagem estéreo incrível” que o deixou ensurdecido.
O disco reuniu principalmente material gravado em 1970 para o que seria o álbum seguinte de Hendrix. O trabalho foi concluído depois da morte do guitarrista por Eddie Kramer e Mitch Mitchell, e não faz parte dos três álbuns clássicos lançados pela Jimi Hendrix Experience enquanto Hendrix estava vivo.
Uma lembrança preservada
Smith afirmou que aquele momento permaneceu com ele por toda a vida. A relação com Hendrix, porém, não se limitou ao impacto provocado por uma audição na infância. Ao falar sobre suas preferências musicais, o vocalista colocou “Are You Experienced?” entre as cinco primeiras e destacou seu interesse por guitarristas de personalidade própria, acima de demonstrações técnicas sem conteúdo.
O músico também diferenciou The Cry of Love de outros lançamentos póstumos de Hendrix. Embora tenha chamado o guitarrista de seu ídolo, Smith disse detestar trabalhos posteriores como Crash Landing e Midnight Lightning.
A recordação, portanto, está ligada menos a uma música específica do que à descoberta de uma nova forma de perceber o som. Para Smith, o álbum revelou espaço, profundidade e movimento na gravação — características que transformaram aquela audição doméstica em uma memória duradoura, anterior à existência do The Cure.


