Antes de ampliar ainda mais o público conquistado com Facelift, o Alice in Chains escolheu um caminho menos previsível: gravou um conjunto de músicas acústicas e lançou o material sem uma campanha de divulgação. O resultado foi Sap, EP de 1992 que apresentou uma face diferente da banda associada a canções como Man in the Box.
Violões, harmonias vocais e arranjos mais suaves ocupam o centro do trabalho em faixas como Brother e Got Me Wrong. Jerry Cantrell contou, em conversa com Lars Ulrich, que o grupo não pretendia inicialmente transformar aquelas gravações em um lançamento. A decisão mudou depois de Sean Kinney relatar um sonho no qual a banda colocava o EP nas lojas com o nome Sap.
Um lançamento sem campanha
A estratégia definida pelo grupo foi manter o trabalho longe de uma divulgação convencional. Cantrell recordou: “Vamos nem anunciar essa coisa. Vamos colocar nas lojas para os fãs e para as pessoas tropeçarem nela”. A proposta era deixar que o público encontrasse o EP por conta própria.
O disco também reuniu convidados ligados à cena de Seattle. Em Right Turn, Chris Cornell, do Soundgarden, e Mark Arm, do Mudhoney, participam ao lado do Alice in Chains. A colaboração ganhou peso à medida que o grunge alcançou maior projeção comercial nos anos seguintes.
Mesmo sem campanha, Sap continuou circulando. Got Me Wrong voltou a chamar atenção com o MTV Unplugged, enquanto o EP passou a ser reconhecido como um sinal de que a banda não pretendia permanecer restrita ao peso de seu álbum de estreia.
Pouco depois, o Alice in Chains aprofundaria essa direção em Jar of Flies, outro trabalho acústico e melancólico, desta vez com grande impacto comercial. Sap, porém, nasceu como um lançamento discreto, colocado nas prateleiras para ser descoberto pelos ouvintes.


