Tommy Karevik chegou ao metal por uma rota pouco convencional: sua primeira referência no gênero foi “The Spirit Carries On”, do Dream Theater, uma balada do álbum “Scenes from a Memory”. O contato aconteceu na adolescência, apresentado pelo colega de escola Johan, guitarrista que compunha em sueco e ouvia metal.
A escolha teve um efeito imediato sobre Karevik, que vinha de uma formação musical ligada ao pop de Mariah Carey e Whitney Houston. O cantor considera irônico que justamente uma faixa sem características evidentes de metal tenha sido a porta de entrada para um estilo que, mais tarde, marcaria sua trajetória no Kamelot e no Seventh Wonder.
A formação vocal fora do metal
Antes de se aproximar do gênero, Karevik passou um verão inteiro cantando “Whenever You Call”, de Mariah Carey, quando tinha 15 anos. A música, segundo ele, concentrava muitos ad-libs e servia para exercitar os runs, sequências rápidas de notas usadas em suas melodias.
“Passei um verão inteiro cantando uma música da Mariah Carey, quando eu tinha 15 anos”, contou ao canal The Charismatic Voice. O treinamento acontecia em diferentes lugares, como o quarto e o carro, mas não era visto por ele como uma atividade formal. A repetição vinha do prazer de cantar a música, e não da sensação de cumprir um exercício.
Karevik afirmou que seus anos de formação ficaram entre os 14 e os 17, 18. Nesse período, tentava reproduzir o que ouvia. A soprano Elizabeth Zharoff, entrevistadora do canal, observou que preservar o prazer pode ser um caminho saudável para o desenvolvimento musical, sem transformar a prática em uma obrigação.
Música em casa, profissão depois
A família também teve papel na formação de seu ouvido. O pai tocava violão e mantinha uma grande coleção de discos; a mãe cantava em um coral por diversão. A irmã, Jenny, estudou canto e ensaiava ao piano no quarto ao lado, experiência que Karevik descreveu como uma de suas referências domésticas mais importantes.
Apesar desse ambiente, ele dizia ser mais ligado aos esportes e não imaginava a música como profissão. A entrada no metal ocorreu depois, quando passou a prestar atenção nos vocalistas do gênero e na liberdade com que cantavam.
Essa trajetória ajudou a formar um estilo próprio. Karevik diz não ter sido influenciado pelos trabalhos antigos de Iron Maiden ou Metallica e afirma que começou a incorporar ao metal muitos ad-libs e recursos associados ao pop. Questionado se havia levado Mariah Carey para o metal, concordou.
Ainda assim, o vocalista não se define principalmente como cantor. Para ele, a identidade está mais próxima da de um músico ou contador de histórias. A técnica, em sua visão, surgiu como consequência do desejo de transmitir algo, e não como ponto de partida.


