A relação direta com a plateia é, para Toni Costa, uma das perdas provocadas pelas mudanças tecnológicas nos shows. Em entrevista ao programa Papo com Clê, do canal Corredor 5, o guitarrista disse que o monitor in-ear o impede de ouvir a própria guitarra no ambiente e de perceber imediatamente as reações de quem assiste.
“Eu perco a relação com a audiência”, afirmou Costa. O músico explicou que se acostumou a tocar um solo e ouvir manifestações da plateia, experiência que considera diferente daquela proporcionada pelo retorno individual nos fones. Ele disse ainda que não conseguiu se adaptar ao sistema, mesmo usando um equipamento feito para a orelha.
Amplificadores fora do palco
Costa também criticou a retirada dos amplificadores dos palcos, prática associada à adoção de recursos digitais e às discussões sobre simuladores. Ao comentar o tema, imaginou a reação de Jimi Hendrix caso alguém tentasse remover o equipamento do guitarrista americano: “Meu irmão, vou tirar esse teu amplificador do palco”.
A referência a Hendrix remete ao início da trajetória de Costa. Carioca, ele contou que decidiu se tornar guitarrista por volta dos 15 anos, depois de conhecer o trabalho do músico. Naquele período, discos de Cream, Blind Faith e Led Zeppelin chegavam às lojas, enquanto o heavy metal ainda não existia como gênero.
Costa passou por Salvador e pela Berklee College of Music, em Boston, e tocou com Moraes Moreira, Maria Bethânia e Caetano Veloso. Ele integrou a banda de Caetano por oito anos. Apesar da formação acadêmica, define-se como roqueiro quando sobe ao palco.
A experiência das turnês
O guitarrista relacionou o debate atual sobre amplificadores e simuladores à realidade das turnês pelo Nordeste nos anos 1980. Segundo ele, os músicos precisavam trabalhar com os equipamentos disponíveis em cada cidade, muitas vezes em mau estado, e ainda assim encontrar uma maneira de tocar.
Costa reconheceu que os sistemas tecnológicos podem funcionar quando há preparação. Como exemplo, citou Marisa Monte, que passa semanas ensaiando com a banda e o técnico antes de iniciar uma turnê. Na maioria dos shows, porém, ele afirmou ver músicos isolados e diretores transmitindo ordens pelos fones durante as canções.
Para o guitarrista, a prioridade deveria estar na emoção e no artista, e não na limpeza absoluta do som.


