Um levantamento sobre passagens aéreas emitidas pela Câmara dos Deputados em nome de Aécio Neves mostra que 376 dos 503 bilhetes registrados entre agosto de 2020 e julho de 2025 não tiveram Minas Gerais como origem ou destino. O número equivale a 74,8% do total analisado.
Florianópolis foi o destino mais recorrente: aparece em 363 bilhetes, aproximadamente 72% dos registros. Minas Gerais está presente em 127, cerca de 25%. Os deslocamentos avaliados custaram aproximadamente R$ 602 mil, dos quais cerca de R$ 447 mil correspondem a viagens sem aeroporto mineiro nos dois extremos do trajeto.
A assessoria do deputado afirmou que os deslocamentos seguem as regras da Câmara dos Deputados. Também informou que os filhos menores de Aécio vivem em Florianópolis e que ele mantém domicílio na cidade, além de Belo Horizonte, Brasília e Rio de Janeiro.
Entre junho de 2024 e junho de 2025, uma apuração anterior havia identificado 81 passagens com origem ou destino em Florianópolis, ao custo aproximado de R$ 57 mil. No levantamento ampliado, os registros disponíveis no Sistema de Gestão de Passagens Aéreas (Sigepa) terminam em 18 de julho de 2025. Não houve explicação da assessoria para a ausência de novos registros nem sobre como os deslocamentos passaram a ser pagos.
Atuação partidária em Alagoas
Além de representar Minas Gerais na Câmara, Aécio preside nacionalmente o PSDB. Sob sua presidência, JHC ingressou na legenda e passou a organizar o partido em Alagoas. O PSDB abriga as candidaturas de JHC ao Governo de Alagoas e de Marina Cândia ao Senado.
A Federação PSDB-Cidadania entrou com sucessivas representações eleitorais contra jornalistas, veículos de imprensa, comunicadores e produtores de conteúdo que publicaram críticas, sátiras ou materiais relacionados ao grupo político de JHC.
A procuração que autoriza advogados a representar nacionalmente a federação foi assinada por Aécio. Em uma ação contra a Tribuna do Sertão, a entidade solicitou a suspensão integral do perfil do jornal no Instagram até o fim do período eleitoral. A Justiça não acolheu o pedido.
A responsabilidade formal, porém, é distinta: Aécio não aparece como autor individual de cada processo. Sua participação está relacionada à condição de dirigente nacional que assinou o documento de representação da Federação PSDB-Cidadania, inclusive para sua atuação judicial em Alagoas.


