A duplicação da BR-153 pode alterar a dinâmica do tráfego em Goiás mesmo quando não há redução matemática no tempo de percurso para todos os veículos. Para caminhões, cujo limite geral permanece em 90 km/h nos dois tipos de pista, o principal efeito esperado é a diminuição das perdas de velocidade provocadas pela circulação de veículos com desempenhos diferentes.
A avaliação considera exclusivamente os limites gerais do Código de Trânsito Brasileiro (CTB). Nos 421,7 quilômetros ainda associados à pista simples no Centro-Norte de Goiás, automóveis, camionetas, caminhonetes e motocicletas poderiam percorrer a distância em aproximadamente 4 horas e 13 minutos, a 100 km/h. Em pista dupla, a 110 km/h, o tempo teórico cairia para aproximadamente 3 horas e 50 minutos: uma diferença de 23 minutos.
A BR-153 tem 703,6 quilômetros no estado. No levantamento publicado em agosto, 281,9 quilômetros estavam duplicados, o equivalente a 40% da extensão. A simulação não considera obras, acidentes, filas, pedágios, acessos urbanos, velocidades específicas ou outras interrupções, portanto não corresponde ao tempo efetivo de uma viagem.
Caminhões e ultrapassagens
Segundo Tiago Andrade, engenheiro especializado em tráfego, duas faixas por sentido permitem que veículos mais lentos deixem de impor seu ritmo a toda a sequência de trânsito. “O ganho está na regularidade do fluxo”, afirma.
A segurança também aparece entre os efeitos relacionados à mudança de configuração da rodovia. Nas rodovias federais de Goiás, 69 sinistros causados por ultrapassagens indevidas deixaram 118 feridos e 29 mortos em 2025, conforme a Polícia Rodoviária Federal (PRF). Até o início de abril de 2026, houve outros 21 sinistros, com 28 feridos e nove mortes vinculados ao mesmo tipo de infração.
Em 2025, a PRF registrou quase 18 mil infrações por ultrapassagens irregulares no estado. A BR-153 em Goiás ficou na quinta posição entre as rodovias com mais autuações desse tipo no país. Em uma operação realizada em julho de 2025, quase mil ultrapassagens indevidas foram identificadas em um trecho considerado crítico da parte Norte da rodovia.
A pista dupla reduz a necessidade de usar a faixa do sentido contrário durante a ultrapassagem, mas não elimina acidentes nem substitui fiscalização, sinalização e condução segura.
Obras previstas e medição do ganho real
A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) informou, em setembro, que monitora intervenções na concessão das BRs 153, 080 e 414. O conjunto de obras inclui duplicação, vias marginais, acessos, passarelas e dispositivos de segurança. O programa prevê 60,48 quilômetros de duplicação em Goiás e Tocantins; no território goiano, há 53,44 quilômetros em obras, em Rialma, Rianápolis, Uruaçu e Campinorte.
Para calcular o impacto efetivo sobre as viagens, seria necessário comparar a velocidade média operacional, a quantidade de caminhões, o volume de tráfego, a formação de filas e os tempos registrados antes e depois das intervenções. Andrade ressalta que os 23 minutos correspondem apenas à diferença matemática entre os limites e não medem o tempo real economizado pelos motoristas.


