GOIÂNIA — A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) afirmou que não produziu, autorizou nem ajudou a divulgar informações falsas relacionadas às eleições. A manifestação foi publicada no mesmo dia em que Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, acusou integrantes da entidade de colaborar com o PT na circulação de um boato sobre Nossa Senhora Aparecida.
Em nota de esclarecimento, a CNBB declarou que não integra estruturas político-partidárias, partidos ou candidaturas. A entidade disse que suas posições sobre o processo eleitoral se apoiam em sua missão pastoral e em princípios como dignidade humana, bem comum, democracia e liberdade de consciência.
A conferência também contestou a acusação feita sem apresentação de provas. “Atribuir à CNBB participação em estruturas de produção ou disseminação de desinformação, sem fatos e provas que sustentem tal afirmação, atinge injustamente a instituição”, afirmou.
Flávio fez a declaração neste domingo (27), durante um ato de campanha em Goiânia. Segundo o candidato, o PT tentava disseminar a informação de que ele pretendia retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil e teria recebido apoio de pessoas ligadas à CNBB. “O PT, eu sei hoje, já estava havia alguns dias tentando levantar essa fake news”, disse.
A controvérsia teve início com publicações em redes sociais que associavam Flávio ou seu grupo político à suposta retirada do título. O conteúdo apareceu depois de um comentário no programa Em Pauta, da GloboNews, na quinta-feira (24), sobre uma possível mobilização de setores evangélicos e uma reação de católicos com impacto nas eleições. A fala original não atribuía a Flávio qualquer projeto, e a emissora corrigiu a informação e pediu desculpas.
As publicações também recuperaram uma proposta apresentada em 2007 pelo então deputado federal Victório Galli (MDB-MT). O texto tratava do feriado de 12 de outubro e sugeria trocar, na legislação, a referência a Nossa Senhora Aparecida como “Padroeira do Brasil” por “padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos”. A proposta foi arquivada em 2008.
Galli passou a integrar, em 2019, o governo de Jair Bolsonaro como assessor especial da Presidência da República. Flávio afirmou que não há atualmente projeto ou movimento de sua parte para retirar o título da santa. A declaração ocorreu depois de decisões judiciais relacionadas às publicações que o vinculavam à suposta mudança.


