Cultura com voz
Brasil

Debate sobre projeto contra Padroeira reacende histórico de ataques a Aparecida

Comentário sobre proposta arquivada em 2008 recuperou episódios de violência e críticas à devoção a Nossa Senhora Aparecida.

O atentado de Aparecida e a cruzada da direita evangélica contra Padroeira do Brasil

Um comentário da jornalista Maria Cristina Fernandes sobre a pressão de grupos evangélicos pela retirada do título de Padroeira do Brasil de Nossa Senhora Aparecida provocou debate nas redes sociais. A fala ocorreu em 24 de setembro de 2026, durante o programa GloboNews Em Pauta.

Após críticas de apoiadores de Jair Bolsonaro, a GloboNews pediu desculpas e informou que o projeto mencionado havia sido arquivado em 2008. A proposta, porém, foi apresentada pelo deputado e pastor Victório Galli, que posteriormente foi nomeado assessor especial do governo de Jair Bolsonaro.

A discussão também foi associada à declaração de Flávio Bolsonaro de que pretende decretar que “o Brasil é do Senhor Jesus Cristo”. O debate recuperou uma trajetória de ataques à imagem de Nossa Senhora Aparecida e à devoção católica no país.

A imagem e o atentado de 1978

A escultura de terracota, feita por volta do ano 1600, foi encontrada em 1717 por três pescadores nas águas do Rio Paraíba do Sul. Segundo a tradição católica, a cabeça apareceu depois que o corpo havia sido retirado das águas. A imagem passou a ser chamada de Nossa Senhora Aparecida e se tornou objeto de devoção popular.

Em 1930, um decreto assinado pelo Papa Pio XI oficializou Nossa Senhora Aparecida como Padroeira do Brasil. A devoção levou à construção de templos e ao crescimento das peregrinações. O Santuário Nacional, transformado em santuário em 1983, recebe, em média, 12 milhões de peregrinos por ano.

Na noite de 16 de maio de 1978, durante um blecaute provocado por uma tempestade, Rogério Marcos de Oliveira invadiu o espaço reservado à imagem na Basílica Velha de Aparecida. Ele quebrou o vidro protetor e retirou a estátua. Ao deixar o local, a cabeça se desprendeu e se esfarelou. Depois, o corpo foi arremessado ao chão e se fragmentou em mais de 200 pedaços.

O sacerdote que conduzia a missa gritou: “Estão roubando a santa!”. Rogério foi capturado após se ferir com os estilhaços do vidro. A Igreja Católica não apresentou denúncia, considerando que ele sofria de transtornos psiquiátricos.

A restauração ficou sob responsabilidade de Maria Helena Chartuni, chefe do Departamento de Restauro do Museu de Arte de São Paulo. O trabalho levou mais de dois meses, e a imagem voltou ao santuário em agosto de 1978. A restauradora passou a realizar gratuitamente a manutenção anual da peça.

Outros ataques e a disputa política

O histórico inclui o episódio conhecido como “chute na santa”, ocorrido em 12 de outubro de 1995. Durante um programa exibido ao vivo pela Rede Record, o pastor Sérgio Von Helder, da Igreja Universal do Reino de Deus, agrediu uma imagem de Nossa Senhora Aparecida. Ele foi condenado por discriminação religiosa e vilipêndio a objeto de culto.

Também houve ataques a imagens em Águas Lindas de Goiás, em 2012; em igrejas de Minas Gerais, em 2014; na Catedral de Santo Antônio, em Duque de Caxias, em 2016; em Botucatu, no ano seguinte; em Santo Antônio da Platina, em 2021; e em Praia Grande, em 2022.

O discurso anticatólico também apareceu na atuação de lideranças políticas. Em 2021, o deputado estadual Frederico D’Ávila insultou o arcebispo de Aparecida, dom Orlando Brandes, e o Papa Francisco, além de atacar a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil.

Em 12 de outubro de 2022, Jair Bolsonaro visitou o Santuário Nacional de Aparecida durante a campanha eleitoral. A presença provocou críticas de setores da Igreja Católica, que questionaram o uso do espaço religioso como palanque político. Apoiadores do então candidato fizeram manifestações nos arredores da basílica e entoaram palavras de ordem dentro do complexo religioso.

Texto produzido pela Redação Vozes da Cena com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

Assine nossa newsletterAs principais notícias do dia no seu e-mail.