Delícia Freitas da Silva, de 59 anos, diz que o próprio nome se tornou um registro das diferentes fases de sua vida. A auxiliar de limpeza convive desde a infância com pessoas que perguntam se entenderam corretamente quando ela se apresenta — e afirma que hoje recebe essas situações com bom humor.
A escolha foi feita pela mãe, mas a justificativa nunca chegou a ser conhecida. Delícia mantém o mistério sem demonstrar incômodo: “Sabe lá o porquê que ela me pôs esse nome, né? Sabe lá o que que ela estava fazendo também”, brincou.
Quando era criança, ela considerava o nome diferente. Mais tarde, passou a gostar dele e das reações provocadas por sua apresentação. Em alguns lugares, conta, as pessoas interrompiam a conversa para confirmar se aquele era realmente seu nome. Ela respondia que sim.
Brincadeiras que atravessaram os anos
Uma das associações recorrentes é com a Margarina Delícia. Segundo a auxiliar de limpeza, algumas pessoas fazem a referência quando descobrem seu nome. Ela afirma que se sente bem com a brincadeira e também acha a situação engraçada.
Outra lembrança está ligada à música “Ai Se Eu Te Pego”, de Michel Teló. Lançada em 2011, a canção tem a palavra “delícia” no refrão e passou a ser usada em comentários dirigidos a ela. Delícia recorda que caía na risada quando ouvia a brincadeira.
As reações, segundo ela, nunca se transformaram em motivo de aborrecimento. Ao contrário, viraram episódios que guarda com leveza. O nome, que no início parecia incomum, passou a ser associado às memórias acumuladas ao longo da vida.
“Eu me sinto muito bem por ter esse nome, acho engraçado também”, afirmou.
Para Delícia, a palavra não representa apenas a forma como é chamada. Ela a relaciona à infância e às experiências que viveu desde então: “O meu nome é minha vida, é minha história. É minha infância, relembra demais a minha infância. Então, o meu nome é tudo para mim”, declarou.


