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Estatuto da Segurança Privada exige adequações em condomínios até 2027

Condomínios terão de separar funções de portaria e vigilância, regularizar profissionais e revisar contratos com empresas de segurança.

Estatuto da Segurança Privada exige adequações em condomínios até 2027
Foto: Felipe Rau/Estadão

A partir de 10 de setembro de 2027, empresas de segurança contratadas por condomínios residenciais e comerciais terão de estar adequadas ao Estatuto da Segurança Privada. A lei entrou em vigor em 2024 e foi regulamentada em junho deste ano, com prazo até 2027 para a adaptação às novas exigências.

As mudanças atingem a divisão de tarefas, a regularização de vigilantes próprios e a responsabilidade dos condomínios sobre os serviços terceirizados. Porteiros e vigilantes devem exercer funções distintas e receber treinamentos correspondentes. Quando um porteiro atua como vigilante, há desvio de função e possibilidade de sanções para quem contrata segurança irregular.

“Além do risco jurídico-trabalhista, o Estatuto traz multas para quem contrata segurança ilegal”, afirma o consultor de segurança Marcy José de Campos Verde.

Regularização e responsabilidade dos condomínios

Se o condomínio tiver funcionário próprio responsável pela vigilância, esse profissional deverá possuir as habilitações pertinentes, registro na Polícia Federal e atuação restrita ao condomínio em que estiver registrado. O cadastro na PF precisa ser renovado a cada dois anos.

A falta da documentação necessária enquadra o serviço como segurança clandestina e pode resultar em multa de R$ 30 mil para o condomínio. No caso de empresas terceirizadas, a contratação não elimina a responsabilidade do edifício: irregularidades nos profissionais destacados para o local podem gerar multas entre R$ 10 mil e R$ 30 mil. Em caso de reincidência, os valores podem até triplicar.

Empresas de vigilância legalizadas também precisam renovar a autorização da Polícia Federal a cada dois anos, manter o armamento devidamente registrado e contratar vigilantes formados em escolas autorizadas pela PF.

Revisão de contratos e atribuições

Síndicos e administradores têm revisado contratos e habilitações de profissionais próprios e terceirizados. Alan Gouvêa, síndico profissional e advogado de um condomínio de 180 apartamentos em Águas Claras (DF), afirma que começou por um diagnóstico das atribuições da portaria, dos contratos e dos serviços ligados à segurança e aos sistemas eletrônicos.

A análise inclui a distinção entre empresas que apenas instalam e fazem a manutenção de câmeras, cerca elétrica e outros equipamentos e aquelas que também realizam monitoramento remoto. Os serviços recebem tratamentos diferentes na regulamentação.

Entre as atividades que podem permanecer com os porteiros estão controlar o acesso, identificar visitantes, interfonar, acompanhar câmeras internas e comunicar ocorrências. O limite está em não atribuir a esses profissionais tarefas próprias da vigilância patrimonial. O decreto também prevê que atividades internas de apoio, como a observação passiva do ambiente e o acompanhamento por sistemas internos de monitoramento, não caracterizam segurança privada clandestina.

Para Gouvêa, o principal desafio é identificar o limite entre portaria e segurança privada. Ele aponta, entre os possíveis efeitos da regulamentação, a profissionalização do setor e a segurança jurídica, mas também menciona maior complexidade administrativa e eventual aumento de custos para condomínios que precisarem modificar sua estrutura ou substituir fornecedores.

Patricia Costa, proprietária de uma empresa de síndicos profissionais que atua em 14 Estados, afirma que a questão central é a governança: saber quem presta o serviço e quem está autorizado a executá-lo. Luis Fabiano Costanzo, síndico profissional e advogado, acompanha a adaptação em um condomínio no Brás, região central de São Paulo, com 486 apartamentos e 10 lojas. A estimativa preliminar dele é de aumento de 10% nos custos de manutenção e segurança.

O tema mobiliza síndicos e empresas de segurança privada em todo o país. José Vicente da Silva Filho, ex-secretário nacional de Segurança Pública e coronel reformado da Polícia Militar de São Paulo, também avalia a segurança informal como uma questão de difícil enfrentamento. No Rio de Janeiro, segundo ele, são estimados pelo menos 50 mil profissionais atuando dessa forma.

Texto produzido pela Redação Vozes da Cena com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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