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O Fantasma da Ópera combina terror gótico, suspense e relações de controle

Romance de Gaston Leroux permanece marcado pelo mistério, pelo cenário da Ópera de Paris e pelos conflitos entre Christine, Erik e Raoul.

Publicado inicialmente em folhetim entre 23 de setembro de 1909 e 8 de janeiro de 1910, O Fantasma da Ópera, de Gaston Leroux, chegou às livrarias como obra completa em abril de 1910. O romance reúne elementos do terror gótico e do suspense policial em uma narrativa ambientada principalmente no Palais Garnier, o prédio da Ópera de Paris cuja construção foi finalizada em 1875.

A história começa com a afirmação de que o fantasma da Ópera existiu. A partir dessa premissa, o narrador apresenta uma investigação sobre os acontecimentos ligados ao desaparecimento de Christine Daaé, ao sumiço de Raoul de Chagny e à morte do Conde Philippe de Chagny. Escavações no subsolo da Ópera teriam revelado um cadáver associado ao Fantasma, estabelecendo desde o início uma tensão entre o registro documental e o sobrenatural.

Mistério e arquitetura gótica

O prédio da Ópera de Paris não é apenas o cenário da trama. Seus camarotes, alçapões, espelhos, passagens subterrâneas, lago e espaços ocultos estruturam o suspense. O Fantasma ocupa o camarote nº 5 e exige da administração o pagamento de 20.000 francos por mês ou de 240.000 francos por ano. Também determina que o local permaneça à sua disposição durante as apresentações.

Os novos diretores, Armand Moncharmin e Firmin Richard, inicialmente tratam as exigências como uma brincadeira. A sucessão de cartas, aparições e acontecimentos inexplicáveis, porém, transforma a administração da Ópera em um espaço dominado pelo medo. A morte de Joseph Buquet, a queda do lustre durante uma apresentação e o desaparecimento de Christine ampliam a dimensão policial da narrativa.

Christine é apresentada como cantora da Ópera de Paris e como alguém cuja formação musical está ligada à memória do pai. Ela acredita que a voz que escuta em seu camarim pertence ao Anjo da Música, figura que teria sido enviada para ajudá-la. A voz, na verdade, pertence a Erik, o homem mascarado que se apresenta como o Fantasma da Ópera.

A relação entre Christine e Erik se desenvolve por meio da música, mas também de manipulação, ameaça e confinamento. Erik sequestra a cantora e a leva para o subterrâneo da Ópera, onde construiu uma residência. A descoberta de seu rosto deformado interrompe a fantasia do Anjo da Música e revela a dimensão trágica de sua trajetória.

O triângulo entre Christine, Erik e Raoul

Raoul, visconde de Chagny e amigo de infância de Christine, tenta compreender o desaparecimento da cantora e enfrentar Erik. O relacionamento entre os dois, entretanto, também é marcado por controle e desrespeito. A leitura apresentada na resenha destaca que Christine tem sua vida determinada pelos homens ao seu redor: Erik a manipula por meio do medo e da dependência, enquanto Raoul frequentemente a trata como alguém incapaz de decidir por si mesma.

Nesse sentido, o romance permite refletir sobre a forma como as mulheres eram percebidas na sociedade retratada e sobre a expectativa de que Christine se submetesse às escolhas masculinas. A obra também aborda solidão, rejeição, aparência, obsessão, amor, pertencimento e toxicidade nos relacionamentos.

O desfecho concentra o conflito. Erik ameaça provocar uma explosão com a pólvora armazenada nos subterrâneos caso Christine não aceite casar-se com ele. Para impedir a morte de Raoul e de outras pessoas, ela concorda com o casamento. Mais tarde, porém, Erik decide deixá-la partir com Raoul depois de receber dela um beijo na testa. Três semanas depois, o jornal L’Époque publica o obituário: “ERIK ESTÁ MORTO.”

A origem de Erik é apresentada no final do romance. Rejeitado desde a infância por causa da deformação no rosto, ele passou a sobreviver exibindo sua aparência e, depois, desenvolveu habilidades de arquitetura, ventriloquismo, música e malabarismo. Trabalhou na Pérsia e em Constantinopla antes de retornar à França e participar da construção da Ópera de Paris, onde decidiu se estabelecer.

Um clássico entre adaptações

A resenha considera que o romance continua relevante porque seus temas atravessam diferentes épocas. A mistura entre realidade e sobrenatural, a arquitetura do Palais Garnier e a construção do mistério fazem da obra um exemplo da literatura gótica. O livro também oferece uma experiência mais detalhada do que filmes, minisséries e musicais baseados nele.

Gaston Leroux nasceu em 6 de maio 1868, em Paris, e morreu em 15 de abril de 1927, em Nice. Formado em Letras e Direito, trabalhou com jornalismo e publicou romances, peças de teatro, novelas, roteiros e artigos. O Fantasma da Ópera é apontado como seu maior sucesso.

Entre as adaptações, destaca-se o filme lançado em 1925. O musical de Londres estreou em 1986. Na Broadway, a produção permaneceu em cartaz por 35 anos, entre janeiro de 1888 e abril de 2023, somando 13.981 sessões. A narrativa de Leroux, no entanto, mantém particularidades próprias, especialmente na construção do Fantasma, na complexidade do subterrâneo e no papel atribuído à voz de Christine.

Texto produzido pela Redação Vozes da Cena com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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