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Investigações aproximam aliados de Flávio Bolsonaro de grupos criminosos no Rio

Casos envolvem milícias, contravenção, Comando Vermelho, corrupção e lavagem de dinheiro; Flávio defende classificar facções como terroristas.

Histórico de Flávio Bolsonaro é marcado por várias acusações de ligações com o crime organizado

A trajetória política de Flávio Bolsonaro foi marcada por vínculos e relações com pessoas posteriormente associadas a investigações sobre o crime organizado no Rio de Janeiro. Quando era deputado estadual, ele homenageou Adriano da Nóbrega e empregou em seu gabinete a mãe e a então esposa do ex-capitão da Polícia Militar, apontado pelo Ministério Público como integrante da milícia de Rio das Pedras e do grupo de extermínio Escritório do Crime. Adriano morreu em 2020, durante uma operação policial na Bahia.

Nos anos seguintes, outros nomes próximos ao grupo político de Flávio apareceram em apurações da Polícia Federal sobre milícias, contravenção, lavagem de dinheiro e organizações ligadas ao Comando Vermelho.

Planilhas e investigação sobre lavagem de dinheiro

Em novembro de 2022, durante a Operação Smoke Free, a Polícia Federal apreendeu documentos atribuídos ao bicheiro Adilson Oliveira Coutinho Filho, conhecido como Adilsinho. O material incluía planilhas com valores relacionados a políticos e partidos. Entre os nomes mencionados estavam Cláudio Castro, Rodrigo Bacellar, Hélio Lopes, Alexandre Ramagem e Gutemberg Fonseca, aliados da família Bolsonaro.

O inquérito reúne mais de quatro mil páginas e informa que as planilhas reproduzidas pela PF registram referências a 61 pessoas. O conteúdo voltou a ser examinado em 2026, na Operação Unha e Carne, que passou a investigar a presença do crime organizado na política fluminense e mecanismos de lavagem de dinheiro.

Em uma das etapas dessa operação, a PF identificou uma organização suspeita de lavar recursos por meio de uma rede de postos de combustíveis. O esquema teria envolvido agentes públicos e movimentações superiores a R$ 7,6 bilhões, conforme relatório do Coaf.

Operação Zargun e nomes ligados à política fluminense

A Operação Zargun, deflagrada em setembro de 2025 pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal, investigou a atuação de integrantes de uma organização associada ao Comando Vermelho dentro da administração pública do Rio de Janeiro. As apurações também alcançaram tráfico internacional de armas e drogas, contrabando, corrupção e lavagem de dinheiro. Segundo o MPF, o grupo procurava obter dados sigilosos e proteção no interior da estrutura pública.

Entre os principais personagens está TH Joias, ex-deputado estadual que se tornou réu na Justiça Federal em setembro deste ano, junto com outros acusados. O processo trata de suspeitas de corrupção, tráfico de drogas e contrabando relacionados ao Comando Vermelho. Para o MPF, a organização mantinha presença na Alerj e em órgãos do governo estadual.

Rodrigo Bacellar, ex-presidente da Alerj, também aparece nas investigações. Em agosto, o Supremo Tribunal Federal recebeu denúncia da Procuradoria-Geral da República contra Bacellar e TH Joias por suspeita de obstrução das apurações. A acusação afirma que informações sigilosas da Operação Zargun teriam sido repassadas previamente a TH, o que teria permitido esconder provas.

Gutemberg Fonseca, ex-secretário estadual de Defesa do Consumidor indicado por Flávio Bolsonaro, é outro nome citado. Mensagens obtidas pela PF registraram Gabriel Dias de Oliveira, conhecido como Índio do Lixão e apontado pelos investigadores como integrante do Comando Vermelho, mencionando um encontro com Gutemberg para apresentar demandas e buscar “cobertura política”.

Segurança pública no debate eleitoral

Durante a campanha presidencial, Flávio Bolsonaro passou a defender que o Primeiro Comando da Capital e o Comando Vermelho sejam classificados como organizações terroristas. Especialistas consideram a proposta uma “cortina de fumaça”, por entenderem que a mudança não alteraria o funcionamento nem a natureza dos crimes praticados pelas facções. Também há preocupação com possíveis efeitos sobre a soberania nacional, diante da possibilidade de uma atuação internacional no território brasileiro, hipótese já mencionada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Na abertura da Assembleia Geral da ONU, ocorrida nesta terça-feira (22), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que apresentou a Trump uma proposta de cooperação entre os dois países no combate ao crime organizado, mas declarou que não aceitará intervenção no Brasil.

Como alternativa às propostas defendidas por Flávio, o governo Lula apresentou medidas que já foram aprovadas total ou parcialmente pelo Congresso. A Lei Antifacção, sancionada em março deste ano, criou o Marco Legal do Combate ao Crime Organizado, definiu os crimes de domínio social estruturado e de favorecimento a esse domínio e ampliou instrumentos penais e patrimoniais contra organizações criminosas ultraviolentas, milícias e grupos paramilitares.

A legislação também modificou regras do Código Penal, do Código de Processo Penal, da Lei de Lavagem de Dinheiro e da Lei de Organizações Criminosas, entre outras normas.

A PEC da Segurança Pública, por sua vez, pretende incluir o Sistema Único de Segurança Pública na Constituição e ampliar a cooperação entre União, estados e municípios. O texto prevê regras para o financiamento do setor e tratamento penal mais rigoroso para lideranças e integrantes de facções, organizações paramilitares e milícias. A proposta foi aprovada pela Câmara e tramita no Senado. A Comissão de Constituição e Justiça aprovou o relatório, mas ainda há emendas destacadas a serem votadas antes do encerramento dessa etapa.

O debate sobre a eficácia das políticas de segurança também é abordado por Alberto Kopittke, autor do Manual de Segurança Pública Baseada em Evidências. O trabalho reúne pesquisas brasileiras e internacionais sobre prevenção e redução da violência e defende que as políticas sejam avaliadas por dados e evidências científicas, e não apenas por crenças ou respostas intuitivas.

Texto produzido pela Redação Vozes da Cena com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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