Golpistas têm usado a procura por emprego para aplicar fraudes por meio de anúncios de vagas inexistentes, falsos processos seletivos, concursos simulados e entrevistas que imitam recrutamentos reais. Nessas abordagens, podem ser solicitados dados pessoais, senhas e biometria facial.
Leonardo Pinheiro, sócio da empresa de cibersegurança Clavis, afirma que as falsas oportunidades costumam circular por e-mail, SMS e aplicativos de mensagens. Também há casos de sites fraudulentos impulsionados para aparecer entre os primeiros resultados das buscas. Formulários falsos podem ser usados para capturar senhas.
Sinais de uma vaga falsa
A cobrança de valores para participar de uma seleção é um dos principais alertas. Empresas não costumam exigir pagamento por cursos, exames ou outras despesas relacionadas ao processo. Promessas de salários muito altos para poucas horas de trabalho ou remunerações muito acima do padrão da função também devem ser vistas com desconfiança.
Processos seletivos que aprovam o candidato de imediato, sem outras etapas, exigem cautela. O mesmo vale para pedidos de informações bancárias, documentos, fotos ou vídeos quando não há justificativa clara nem confirmação da identidade do recrutador.
Mensagens que pressionam por uma decisão imediata, com ameaça de perda da vaga ou da inscrição, podem indicar fraude. Erros em endereços, e-mails pouco convencionais, informações contraditórias e linguagem estranha são outros sinais de alerta.
Como confirmar a oportunidade
Antes de enviar informações ou fazer qualquer pagamento, o candidato deve procurar a vaga nos canais oficiais da empresa. É necessário verificar se o processo realmente existe e comparar cargo, salário, endereço e contato com os dados divulgados pela organização.
A presença do nome ou do logotipo de uma empresa conhecida em redes sociais e plataformas de recrutamento não comprova a legitimidade do anúncio. Criminosos podem usar essas marcas para dar aparência autêntica à fraude.
No caso de concursos públicos, a orientação é consultar o site do órgão responsável e a página da organizadora. O candidato deve conferir o edital, o período de inscrições e as formas oficiais de pagamento. Links recebidos por mensagens, redes sociais ou anúncios precisam ser tratados com cautela.
Medidas de proteção
Não é recomendável pagar para participar de processo seletivo ou garantir contratação. Dados bancários, documentos, fotos e vídeos só devem ser fornecidos depois da confirmação da legitimidade da oportunidade.
Outra medida é usar senhas diferentes em serviços distintos, especialmente no e-mail. Nos serviços do GOV.BR, a recomendação é utilizar uma senha exclusiva, elevar a conta ao nível Ouro e ativar a verificação em duas etapas. Links de vagas enviados por mensagens ou encontrados em anúncios não devem ser acessados antes da confirmação nos canais oficiais.
Se a fraude já aconteceu
Quem informou dados em uma página suspeita deve trocar imediatamente a senha usada. Se ela for repetida em outros serviços, também precisa ser substituída nesses locais.
Em caso de Pix enviado aos golpistas, o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) orienta que a vítima contate imediatamente a instituição financeira e peça o Mecanismo Especial de Devolução (MED). A solicitação pode ser apresentada em até 80 dias.
Também é recomendado registrar um Boletim de Ocorrência e preservar comprovantes, mensagens, e-mails, links e outras informações relacionadas à fraude.


