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Insetos ajudam a reconstruir ambientes e avaliar substâncias em cadáveres

Entomologia forense pode indicar deslocamentos, interpretar períodos submersos e apoiar exames toxicológicos quando tecidos já se degradaram.

Insetos ajudam a reconstruir ambientes e avaliar substâncias em cadáveres
Foto: Arquivo Pessoal

A análise de insetos associados a um cadáver pode contribuir para identificar ambientes pelos quais o corpo passou e levantar a hipótese de transporte após a morte. A avaliação considera as preferências ecológicas e a distribuição geográfica de cada espécie, além das condições climáticas e ambientais relacionadas à sua presença.

Moscas, besouros e outros organismos aparecem com frequências diferentes em áreas urbanas, rurais ou florestais. Quando a composição encontrada no corpo não corresponde ao ambiente em que ele foi localizado, os peritos podem considerar essa incompatibilidade como um elemento da investigação. Davi Rodrigues, perito criminal de Goiás com doutorado e que realiza pós-doutorado na área, ressalta que o achado não é suficiente, isoladamente, para comprovar o deslocamento: “Isso não prova sozinho que o corpo foi transportado, mas pode ser um indício importante.”

A entomologia forense também exige cautela na interpretação do tempo de desenvolvimento dos insetos. Em um cadáver que permaneceu completamente submerso em rio, lago ou outro ambiente aquático, o acesso das moscas necrófagas terrestres pode ficar limitado ou impedido. A decomposição, porém, continua, com a participação de organismos associados à água.

Quando o corpo emerge, volta a boiar ou tem alguma parte exposta ao ar, as moscas podem alcançar essas regiões e iniciar a colonização. Por isso, a idade das larvas encontradas não corresponde necessariamente ao intervalo total desde a morte. “Pode ter existido um período anterior em que as moscas não tinham acesso ao corpo”, explica Davi.

Outra frente é a entomotoxicologia. Em cadáveres em avançado estado de decomposição, tecidos usados tradicionalmente em exames toxicológicos podem estar indisponíveis ou muito degradados. Larvas e outros insetos que se alimentaram do corpo podem, em determinadas situações, servir como matrizes alternativas para investigar drogas, medicamentos e outras substâncias tóxicas.

Substâncias presentes no organismo podem ser incorporadas ou metabolizadas pelas larvas. Além de fornecer informação toxicológica, essa presença pode interferir na velocidade de desenvolvimento dos insetos e precisar ser considerada na estimativa do intervalo pós-morte mínimo.

Insetos ligados a produtos, materiais ou substâncias também podem oferecer pistas sobre condições de armazenamento, procedência ou possível deslocamento geográfico. A interpretação depende da ecologia e da distribuição das espécies e deve ser relacionada às demais evidências da investigação.

Texto produzido pela Redação Vozes da Cena com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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