Dez pessoas procuraram a Polícia Civil de Goiás para relatar supostos prejuízos atribuídos ao corretor e empresário Roger Kogi Tabata, de 57 anos, preso na segunda-feira (28) durante a Operação Broker Scammer. A investigação apura ocorrências relacionadas a aluguéis, garantias, valores de contratos e administração de imóveis. Até esta terça-feira (29), os prejuízos informados somavam mais de R$ 1,1 milhão, segundo o delegado Willian Bretz, responsável pelo caso.
Antes da prisão, Tabata já havia perdido o registro profissional. O Conselho Regional de Corretores de Imóveis de Goiás (Creci-GO) informou que uma denúncia contra o corretor e sua imobiliária resultou na abertura de processo ético-disciplinar. O julgamento ocorreu em 18 de agosto de 2026, pela 2ª Turma Julgadora do CRECI-GO.
Além da cassação da inscrição, a decisão determinou o pagamento de multa equivalente a 10 anuidades de pessoa física. Em nota, o conselho afirmou ter recebido a denúncia em data anterior à prisão e aplicado a penalidade depois do cumprimento dos trâmites legais.
Uma das pessoas que procuraram as autoridades é Amanda Guimarães Lima. Ela afirma ter perdido aproximadamente R$ 60 mil após contratar Tabata para administrar o aluguel de um apartamento pertencente às duas filhas dela, no Jardim Goiás, em Goiânia.
De acordo com Amanda, o combinado previa o repasse mensal dos aluguéis. Ela diz ter descoberto posteriormente que o corretor havia negociado com o inquilino o recebimento antecipado de um ano de aluguel, além de quantias relativas à garantia e ao seguro, sem autorização da família. O contrato também determinava que os proprietários não tratassem diretamente com o inquilino.
Os repasses, segundo o relato, passaram a atrasar. Um aluguel com vencimento no dia 25 chegava a ser transferido entre três e 12 dias depois, até que os pagamentos foram interrompidos em agosto.
Uma empresa que contratou Tabata para administrar 49 imóveis também relata irregularidades. No fim de 2021, identificou contratos nos quais ele teria se apresentado aos inquilinos como proprietário e recebido aluguéis, embora sua função fosse administrar os imóveis e intermediar a relação com os moradores.
No fim de 2022, os repasses aos proprietários deixaram de ocorrer regularmente. Depois do encerramento do contrato, a empresa afirmou ter encontrado problemas envolvendo seguros contra incêndio, valores de condomínio e IPTU, além de quantias de caução que não teriam sido transferidas.
A empresa também denunciou a retirada de eletrodomésticos de um imóvel alugado, segundo a acusação, ao próprio companheiro de Tabata. O delegado Willian Bretz disse que esse episódio integra as apurações. Há ainda o relato de uma pessoa que pagou R$ 115 mil de entrada por um apartamento avaliado em R$ 500 mil e afirma não ter recebido o imóvel.


