GOIÂNIA — A família do advogado Davi Sebba chega ao julgamento dos três acusados pela morte dele após uma longa tramitação judicial, marcada por recursos, ameaças e relatos de intimidação. O Tribunal do Júri está previsto para começar nesta quinta-feira (1º), em Goiânia, com duração estimada de dois dias.
Pedro Ivo Sebba, irmão da vítima, afirma que a expectativa é de que o processo produza respostas e reconheça Davi e seus familiares como vítimas. “Chegar ao Tribunal do Júri 14 anos depois significa receber respostas, e ver o Estado agindo para defender a vítima”, disse.
Acusação e trajetória do processo
Respondem pelo crime o tenente da Polícia Militar Edinailton Pereira de Souza, o sargento Luiz Frederico de Oliveira e o ex-PM Jonathas Atenevir Jordão. Davi foi morto com um tiro no peito em 5 de julho de 2012, no estacionamento de um supermercado da Vila União.
Segundo a família, o advogado havia saído para comprar fraldas enquanto a esposa estava internada para dar à luz o filho do casal. Pedro Ivo contesta a versão de que Davi estivesse armado durante a abordagem e afirma que a perícia comprovou o contrário.
Em 2017, Edinailton e Luiz Frederico foram absolvidos, enquanto Jonathas foi enviado a júri por homicídio simples. Recursos apresentados pela acusação alteraram o andamento do caso. Em 2022, o Tribunal de Justiça de Goiás reconheceu a qualificadora relacionada à dificuldade ou impossibilidade de defesa da vítima. No ano seguinte, a Justiça determinou que os três fossem julgados pelo Tribunal do Júri.
Demora e relatos da família
Para Pedro Ivo, o tempo transcorrido agravou o sofrimento dos parentes. Ele afirma que o caso permaneceu durante anos sem uma explicação compreensível e que o inquérito policial demorou a avançar.
O irmão de Davi também relata ameaças e intimidações contra familiares e pessoas próximas. Segundo ele, em um episódio, um delegado teria expulsado os advogados da família de uma delegacia com uma arma em punho.
A família sustenta que o julgamento não diz respeito apenas à perda de um parente. Na avaliação de Pedro Ivo, a morte também afeta a sensação de segurança da sociedade e não pode ser tratada como uma decisão individual sobre a vida de outra pessoa, fora das leis e do direito de defesa.
Expectativa pelo resultado
Pedro Ivo diz que não pretende vingança e que espera um julgamento em que os acusados possam se defender. Ao mesmo tempo, afirma aguardar a condenação dos três policiais. Para ele, os pais, irmãos, amigos e o filho de Davi também devem ser reconhecidos como vítimas das consequências do crime.


