O Ministério Público do Rio de Janeiro denunciou Raimunda Veras Magalhães, ex-assessora parlamentar de Flávio Bolsonaro, por suspeita de participar de um esquema de lavagem de dinheiro associado à milícia comandada por seu filho, o ex-capitão do Bope Adriano da Nóbrega. As investigações apontam que ela teria recebido, movimentado e ocultado recursos obtidos com a exploração de disputas de jogo do bicho.
A denúncia faz parte da Operação Legado, que levou à acusação de 19 pessoas. A Justiça também expediu mandados de prisão e de busca e apreensão. O Grupo de Atuação Especializada no Combate ao Crime Organizado (Gaeco) afirma que o esquema movimentou mais de R$ 8,5 milhões em pouco mais de um ano, com uso de empresas de fachada.
A atuação do grupo se concentrava principalmente na Zona Sul do Rio de Janeiro, especialmente em Copacabana, e incluía a participação do bicheiro Bernardo Bello. Em outra frente da apuração, o Ministério Público denunciou Julia Lotufo, viúva de Adriano, sob suspeita de negociar imóveis e propriedades rurais vinculados ao miliciano para conferir aparência legal ao patrimônio.
Raimunda entrou na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro em 2015. No ano seguinte, foi nomeada para o gabinete de Flávio Bolsonaro, então deputado estadual, onde permaneceu até novembro de 2018. Ela recebia cerca de R$ 6,5 mil mensais, valor que, corrigido pela inflação, ultrapassa R$ 12 mil.
A exoneração ocorreu no período em que vieram a público denúncias sobre um suposto esquema de “rachadinhas”. Danielle Mendonça da Costa da Nóbrega, ex-esposa de Adriano, também havia trabalhado no gabinete por mais de uma década. Investigações apontaram repasses de parte dos salários de assessores ao ex-policial Fabrício Queiroz, indicado como operador do esquema.
O caso das “rachadinhas” foi arquivado em 2021 depois que o Superior Tribunal de Justiça e o Supremo Tribunal Federal anularam provas por questões processuais, impedindo a análise do mérito. A assessoria de Flávio Bolsonaro afirmou que o senador não tem relação com a denúncia e não é citado, investigado ou acusado no caso. As investigações da Operação Legado seguem em andamento, divididas entre lavagem de dinheiro, organização criminosa e ocultação de patrimônio.



