BELO HORIZONTE — O candidato ao Senado Marcelo Aro (PP) ficou sem o apoio de candidatos ao governo de Minas após romper com Mateus Simões (PSD) e Cleitinho Azevedo (Republicanos). As divergências se intensificaram depois do fechamento das chapas eleitorais, no último dia 15, e expuseram a fragmentação do campo conservador no estado.
Aro havia iniciado a pré-campanha com a intenção de integrar a chapa de Simões. O primeiro conflito ocorreu quando ele rejeitou uma composição que também incluía Carlos Viana (PSD), candidato ao Senado. Depois que Cleitinho desistiu momentaneamente da disputa pelo governo, Aro passou a buscar uma candidatura própria ao cargo, ainda enquanto integrava a administração de Simões.
A mudança provocou críticas do atual governador e do ex-governador. Simões chamou Aro de “político fisiológico” e afirmou que a decepção era maior porque o ex-secretário havia sido abrigado no governo durante quatro anos. Na sequência, Aro e seu grupo deixaram o governo mineiro e foram acusados de permanecer “quatro anos parasitando o Governo de Minas” para construir um projeto político próprio.
O rompimento com Cleitinho
Cleitinho retomou a intenção de disputar o governo poucos dias depois de abandonar temporariamente o projeto. O senador aparece nas pesquisas mais recentes com cerca de 32% das intenções de voto. O retorno inviabilizou a tentativa de Aro de se apresentar como candidato ao governo.
Aro então passou a apoiar Cleitinho e articulou, com o presidente nacional do Republicanos, o aval da legenda. Ele acompanhou o anúncio da volta do senador à disputa, em movimento contrário ao apoio da federação União–Progressistas à candidatura de Simões.
A aproximação também reabriu divergências antigas. Em 2022, Cleitinho havia chamado Aro de “canalha” e afirmado que o então secretário do governo Zema atacara seus familiares para prejudicar sua eleição ao Senado. No início da semana, os dois romperam definitivamente. Cleitinho não deve mais apoiar a candidatura de Aro ao Senado em 2026.
Entre as razões apontadas para o afastamento estão a desaprovação de Aro por familiares do senador e a avaliação de que o ex-secretário tentaria se beneficiar da popularidade de Cleitinho. Aliados do parlamentar também relacionam o rompimento às acusações de irregularidades na Cemig SIM que envolvem Aro.
Aro teria orientado Cleitinho a atacar Gabriel Azevedo (MDB) no debate entre os candidatos realizado no último domingo (16). Também há acusações de que ele teria sido agressivo com apoiadores do senador durante a gravação de um jingle em Medina, no Vale do Jequitinhonha. Com o rompimento, Aro voltou a concorrer sem o apoio de candidatos ao governo.
A disputa com Gabriel Azevedo
A rivalidade entre Aro e Gabriel Azevedo ganhou novo capítulo no debate. Ao comentar suspeitas relacionadas à Cemig SIM, o candidato do MDB disse a Cleitinho: “cuidado, Cleitinho, cuidado. Não fique aí andando com político mineiro cujo sobrenome rima com Vorcaro”. A frase foi repetida por Azevedo em entrevista coletiva após o encontro.
A declaração remete à demissão de Rubens Soalheiro, diretor comercial da Cemig SIM, modelo de geração compartilhada de energia solar da empresa. A Polícia Federal indicou que Soalheiro teria facilitado contratos com a Green Investimentos, presidida por Felipe Cançado Vorcaro, primo de Daniel Vorcaro.
Soalheiro também administra empresas ligadas ao núcleo político e empresarial de Aro. A suspeita mencionada é de que se pretendesse montar um esquema de lavagem de dinheiro relacionado à cúpula do Banco Master. No debate, Azevedo afirmou que “a Cemig SIM virou um feudo de indicação política”.
O conflito entre os dois políticos remonta à disputa pelo comando da Câmara Municipal de Belo Horizonte. Em 2023, quando Gabriel presidia a casa legislativa, ele foi alvo de dois processos de cassação, posteriormente arquivados. As iniciativas foram encabeçadas pelo grupo político de Aro, conhecido como “família Aro”, que incluía o então vice-presidente da Câmara.
Naquele contexto, Azevedo acusou o então secretário de Estado de Casa Civil de liderar um esquema de propina articulado com empresários do transporte público. Em abril deste ano, Aro chamou Gabriel de “um oportunista” e afirmou que ele “joga para a plateia”.
Histórico político e registros policiais
Aro também foi associado a Eduardo Cunha. Em 2015, quando era vereador, foi responsável por uma homenagem que concedeu a Cunha o título de cidadão honorário de Belo Horizonte. Mais tarde, integrou a tropa de choque de Cunha em uma vaga na Câmara Federal.
Ligado à chamada “bancada da bola”, Aro ocupou o cargo de diretor de ética e transparência da CBF durante a gestão de Marco Polo del Nero, posteriormente banido por envolvimento em esquemas de corrupção.
O candidato ao Senado também aparece em três boletins de ocorrência. Em outubro de 2007, aos 20 anos, foi acusado de agressão por uma ex-namorada, então com 17 anos. O registro afirma que ela relatou à Polícia Civil ter sido vítima de “socos e pontapés”.
Em dezembro de 2008, Aro teria sido preso em flagrante por desobediência, após uma ocorrência de perturbação do sossego em uma casa no bairro Havaí, na capital mineira. O boletim registra que policiais encontraram som alto na residência e que ele teria se recusado a reduzir o volume.
O terceiro registro trata de uma suposta ameaça em 2012, em Nova Lima. Segundo o relato policial, Aro teria se exaltado durante uma abordagem motivada pelo estacionamento de seu veículo sobre a calçada, em frente a uma boate, e teria ligado para um coronel da Polícia Militar durante a ocorrência.


