A continuação de Atraídos pelo Destino já foi rodada e deve chegar em meados de 2027, ainda sem data confirmada. Intitulada Ébano, ela concluirá a história iniciada pelo filme dirigido por Óscar Pedraza, que adapta a duologia Enfrentados, da escritora argentina Mercedes Ron. A produção foi realizada simultaneamente à primeira parte.
O longa disponível no Prime Video não tem ligação com a obra dirigida por Andrew Bergman e protagonizada por Nicolas Cage. O título coincide com o do filme da década de 1990, mas a narrativa se aproxima mais, por coincidência, de O Guarda-Costas: uma jovem passa a ser protegida por um profissional depois de ser sequestrada.
Uma trama construída em duas partes
Marfil, interpretada por Ester Expósito, mora em Manhattan e divide sua rotina entre a faculdade de economia e as aulas de balé. Durante uma corrida em um parque, ela é sequestrada e liberada pouco depois. O episódio leva seu pai, Cortés, um milionário e empreendedor vivido por Pablo Molinero, a contratar Sebastian, personagem de Hugo Diego Garcia, para atuar como seu guarda-costas.
A convivência entre os dois abre espaço para a aproximação afetiva, ao mesmo tempo em que os mistérios relacionados à situação de Marfil começam a aparecer. Como o filme integra uma história maior, o encerramento deixa questões em aberto — uma escolha que pode frustrar quem não sabe que a trama foi dividida entre os livros Marfil e Ébano.
O principal problema está na maneira como o roteiro tenta apresentar como madura uma relação organizada a partir de um modelo próximo do conto de fadas. A diferença entre os universos dos protagonistas é explorada por conflitos recorrentes, mas as conveniências de cada situação enfraquecem a construção dramática. Em vez de se apoiar nos acontecimentos, a narrativa recorre a símbolos que não desenvolvem os dilemas com força suficiente.
Técnica acima da química
As cenas de ação são curtas, enquanto o apartamento concentra boa parte da atmosfera de intimidade. O uso das cores e a amplitude do espaço procuram transmitir isolamento, estado compartilhado pelos personagens. Nesse aspecto, a fotografia de David Acereto se destaca pela competência.
A dupla central, porém, não estabelece uma química convincente. A falta de naturalidade reduz o impacto de momentos que poderiam ser marcantes e reforça a impressão de que este primeiro capítulo avança com cautela excessiva. O resultado é uma narrativa que prepara a continuação sem preencher de maneira satisfatória todas as lacunas que cria.
Pedraza dirige seu primeiro longa-metragem depois de trabalhos em seriados como Sky Rojo, disponível na Netflix. Resta a Ébano desenvolver os conflitos deixados pelo filme e conduzir a trama ao clímax prometido pela duologia.


