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Cinco histórias do teatro brasileiro que chegaram ao cinema

De Dias Gomes a Paulo Gustavo, adaptações levaram dramas, romances e comédias dos palcos para as telas.

Cinco histórias do teatro brasileiro que chegaram ao cinema
Foto: Paris Filmes/Divulgação

A trajetória de personagens como Zé do Burro, João Grilo, Chicó e Dona Hermínia atravessa diferentes momentos do cinema brasileiro. Vindas do teatro, essas histórias chegaram às telas em adaptações que reuniram reconhecimento em festivais, prêmios nacionais e forte presença junto ao público.

A seleção também acompanha a variedade de gêneros explorados por essas obras: há drama social, romance, comédia e narrativas ambientadas no sertão e no agreste. As produções são baseadas em peças de Dias Gomes, Gianfrancesco Guarnieri, Ariano Suassuna, Osman Lins e Paulo Gustavo.

Uma comédia que nasceu nos palcos

Escrita e protagonizada por Paulo Gustavo, “Minha Mãe é uma Peça” fez sucesso primeiro no teatro, em 2026, antes de chegar ao cinema em 2013. O filme apresenta Dona Hermínia, mulher divorciada e dedicada aos filhos Marcelina e Juliano, interpretados por Mariana Xavier e Rodrigo Pandolfo.

Mesmo com os filhos crescidos, a personagem acompanha de perto a vida dos dois. Ao descobrir que eles a consideram chata, decide sair de casa sem avisar. Enquanto Marcelina e Juliano tentam compreender o desaparecimento, Dona Hermínia procura a tia Zélia, vivida por Sueli Franco, para conversar sobre as dificuldades do presente e lembrar momentos do passado.

O filme recebeu indicações e prêmios em votações populares, com reconhecimentos no Prêmio APCA e no Prêmio Quem. O sucesso levou a duas continuações: “Minha Mãe é uma Peça 2”, de 2016, e “Minha Mãe é uma Peça 3”, de 2019.

Do sertão para as telas

Em 1999, Guel Arraes dirigiu “O Auto da Compadecida”, adaptação da peça “Auto da Compadecida”, escrita por Ariano Suassuna em 1955. O longa também incorpora elementos de “O Santo e a Porca” e “Torturas de um Coração”, outras obras do autor.

A trama acompanha João Grilo, interpretado por Matheus Nachtergaele, e Chicó, vivido por Selton Mello. Sertanejo pobre e habilidoso, João Grilo enfrenta as dificuldades do cotidiano ao lado de Chicó, conhecido por sua covardia. Os dois se envolvem em confusões no vilarejo de Taperoá, no sertão da Paraíba.

No Grande Prêmio Cinema Brasil 2001, a produção venceu quatro prêmios. Também recebeu o prêmio de Melhor Ator no Festival de Viña del Mar e o prêmio do júri popular no Festival de Cinema Brasileiro de Miami.

A promessa de Zé do Burro

“O Pagador de Promessas” chegou ao cinema em 1962, com direção e adaptação de Anselmo Duarte, a partir da peça escrita por Dias Gomes em 1959. Leonardo Villar interpreta Zé do Burro, que faz uma promessa depois que seu animal é atingido por um raio.

Se o burro se recuperar, o personagem decide dividir suas terras com os mais pobres e levar uma cruz até a Igreja de Santa Bárbara, em Salvador, para entregá-la ao padre. A tentativa de cumprir o compromisso encontra a resistência da Igreja e uma série de obstáculos.

A estreia mundial ocorreu no Festival de Cannes de 1962, onde o filme ganhou a Palma de Ouro. No mesmo ano, recebeu o Prêmio Especial do Júri no Festival Internacional de Cinema de Cartagena, na Colômbia, além do Prêmio Golden Gate de Melhor Filme e Trilha Sonora, para Gabriel Migliori, no San Francisco International Film Festival. Foi ainda o primeiro filme brasileiro e sul-americano indicado ao Oscar na categoria de Melhor Filme Internacional.

Romance, perseguição e música

Dirigido por Guel Arraes, “Lisbela e o Prisioneiro” é baseado na peça homônima de Osman Lins. A comédia romântica se passa no agreste pernambucano do século 20 e acompanha Lisbela, personagem de Débora Falabella, uma jovem que gosta de cinema e se encanta com os galãs de Hollywood.

Noiva de Douglas, interpretado por Bruno Garcia, Lisbela vê sua rotina mudar com a chegada de Leléu, vivido por Selton Mello. O aventureiro se apaixona por ela, mas precisa fugir de Frederico Evandro, personagem de Marco Nanini. O matador busca vingança depois do envolvimento de Leléu com Inaura, interpretada por Virginia Cavendish, sua mulher.

No Grande Prêmio Cinema Brasil 2004, o filme venceu Melhor Ator, para Selton Mello, e Melhor Trilha Sonora, para André Moraes. A música “Você não me ensinou a te esquecer”, de Caetano Veloso, marca uma das cenas lembradas da produção.

O conflito entre família e trabalho

Baseado na peça de Gianfrancesco Guarnieri, “Eles Não Usam Black-Tie” foi escrito e dirigido por Leon Hirszman em 1981. Guarnieri participou do roteiro e do elenco, ao lado de Fernanda Montenegro.

A história começa com uma greve que mobiliza os trabalhadores de uma empresa. Durante o movimento, um operário descobre que a namorada está grávida e decide se casar. Com medo de perder o emprego, ele fura a greve liderada pelo próprio pai. O gesto provoca um conflito familiar que se prolonga nas assembleias e nos piquetes.

No 38º Festival Internacional de Cinema de Veneza, a produção recebeu o Grande Prêmio Especial do Júri. Também conquistou o Prêmio FIPRESCI, concedido pela Federação Internacional de Imprensa Cinematográfica.

Texto produzido pela Redação Vozes da Cena com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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