Cultura com voz
Cinema

“Protocolo de Extermínio” transforma boas referências em uma narrativa irregular

Suspense de ação dirigido por Adam Wingard aposta na estética dos videogames, mas a duração reduzida limita personagens e conflitos.

“Protocolo de Extermínio” transforma boas referências em uma narrativa irregular

A estética de videogame é o eixo de “Protocolo de Extermínio”, novo suspense de ação dirigido por Adam Wingard. Com referências a “Resident Evil” e “Bioshock”, o filme combina conspiração, experimentos humanos e violência estilizada, mas a soma de ideias não se converte em uma narrativa plenamente articulada. A produção chega aos cinemas nacionais em 1º de outubro.

Adria Arjona interpreta Celeste, ex-fuzileira do exército dos Estados Unidos que vive em uma área de trailers no interior do país. Ela supervisiona outros rejeitados que buscam algum conforto em meio à solidão e tenta preservar a guarda compartilhada da filha, Daisy, interpretada por Blake Kennedy. O cotidiano da personagem muda quando uma trama governamental conduzida nas proximidades alcança sua casa.

Conspiração e supersoldados

O conflito paralelo recupera tropos de histórias conspiratórias associadas à II Guerra Mundial. O cientista Hans Kammler, vivido por Dan Stevens, conduz experimentos humanos ligados à criação do soldado perfeito: uma máquina de guerra geneticamente modificada, capaz de subjugar quem se coloca em seu caminho.

A experiência parece ter produzido três ex-soldados. Quando eles escapam ao controle de seus mestres, iniciam uma matança que os leva até Celeste. A premissa oferece material para um suspense de ação de ritmo acelerado, mas o roteiro de Simon Barrett, desenvolvido em parceria com Wingard, não encontra tempo suficiente para apresentar os personagens e consolidar seus conflitos.

O longa tem noventa minutos, duração que se torna seu principal obstáculo. As decisões narrativas são apressadas, e boa parte dos personagens é descartada antes que seus arcos adquiram peso. A relação entre Celeste e Daisy, assim como o trauma da protagonista, fica submetida à urgência da ação.

Imagem acima do desenvolvimento

Wingard retoma uma espécie de continuidade espiritual de “O Hóspede”, lançado em 2014, mas sem alcançar a mesma originalidade. A fotografia de Oren Soffer explora a urgência do vermelho e a melancolia do azul para marcar a ruína dos personagens. Em alguns momentos, a combinação entre arte digital e linguagem cinematográfica produz sequências vibrantes; em outros, o resultado se aproxima de uma colcha de retalhos.

A repetição de soluções visuais e dramáticas também enfraquece o conjunto. Construções reaparecem para reforçar a atmosfera sombria, mas acabam produzindo redundância. O filme dialoga ainda com a violência de “Kill Bill”, com as pulsões eugenistas das adaptações de “A Ilha do Dr. Moreau” e com uma breve menção a “Aliens, o Resgate”, referência que não encontra desenvolvimento.

Arjona é o elemento que sustenta a protagonista. Celeste surge como uma anti-heroína marcada pela complexidade, mas disposta a proteger aqueles que ama, e a atriz confere ritmo e dinamismo a uma personagem cercada por escolhas narrativas incompletas. Seu desempenho, porém, não resolve a falta de coesão do projeto.

“Protocolo de Extermínio” reúne imagens expressivas, uma premissa de ficção científica e uma intérprete capaz de conduzir as cenas de ação. O filme, entretanto, privilegia a aparência e repete referências sem desenvolver plenamente suas próprias possibilidades. O lançamento está marcado para 1º de outubro nos cinemas nacionais.

Texto produzido pela Redação Vozes da Cena com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

Assine nossa newsletterAs principais notícias do dia no seu e-mail.