A relação entre um pai e seu filho serve de eixo para Pukem Swa, documentário dirigido por Samuel Moreno Alvarez e selecionado para a mostra Território do CineBH 2026. Ao acompanhar o cotidiano de uma criança de 10 anos, o filme se aproxima da tentativa de reativar o chibcha, língua indígena ligada ao povo Muisca.
O idioma deixou de ser usado depois da invasão espanhola na América e foi apagado no processo de colonização iniciado a partir do século XVI. É nesse desaparecimento que o documentário encontra seu principal assunto: a retomada de conhecimentos culturais e de tradições interrompidas ao longo do tempo. A aproximação ocorre por meio de situações familiares, atividades de aprendizagem e canções relacionadas aos antepassados.
Contexto e condução
A obra aposta em planos longos e em uma abordagem sensorial para apresentar elementos de uma cultura local. A escolha poderia criar uma experiência de observação mais envolvente, mas o desenvolvimento das ideias permanece limitado. O lettering que abre a narrativa cumpre a função de explicar as informações básicas sobre a língua e o povo retratado; sem essa introdução, a compreensão do que está em jogo seria mais difícil.
As cenas também alternam diferentes procedimentos. Uma sala de aula improvisada e os momentos musicais estabelecem um contraste entre os ensinamentos do passado e a infância no presente. Em alguns trechos, porém, a condução parece pouco espontânea. Perguntas incorporadas às situações dão a impressão de que determinados comportamentos podem ter sido orientados ou encenados, ainda que não seja possível afirmar isso de modo definitivo.
Uma proposta sem força dramática
O ritmo cadenciado não se converte em tensão ou envolvimento. As experimentações formais se acumulam sem consolidar uma atmosfera, e a atenção se sustenta apenas em momentos pontuais. Com menos de 80 minutos de duração, Pukem Swa apresenta um tema de grande alcance, mas o trata de maneira superficial, sem ampliar a contextualização necessária para que a recuperação da língua e das tradições alcance maior força narrativa.


