RIO DE JANEIRO — Os álbuns “Almazônica” e “No Ritmo”, do percussionista paraense Dadadá Castro, chegaram aos serviços de streaming. Gravados no Rio de Janeiro e lançados pelo selo Ná Music, os trabalhos ampliam o acesso à produção de um músico ligado aos sons, às paisagens e às experiências da Amazônia.
“Almazônica” e “No Ritmo” são projetos solo que registram diferentes momentos da trajetória de Dadadá. O primeiro apresenta arranjos instrumentais para criações de compositores locais, além das faixas autorais “Jambo” e “Almazônica”. O disco também reúne Robertinho Silva, Chico Chagas e Danilo Caymmi, que participa de “Cunhatã”, composição de Paulo André Barata.
O segundo álbum reúne composições compartilhadas com parceiros de longa data. Entre os participantes estão o baterista Nenê, o contrabaixista Luiz Alves, Carlos Malta e Luiz Otávio. “No Ritmo” também marca a interação entre Dadadá e Robertinho Silva, baterista e percussionista cuja trajetória inclui gravações com artistas brasileiros.
Uma trajetória construída em parcerias
Dadadá começou na música nos anos 1970, ao lado de mestres do piano paraense como Guiães de Barros, Álvaro Ribeiro e Guilherme Coutinho. Em 1981, fundou o Grupo Gema com Nego Nelson, Sagica e Kzam Gama. O trabalho acompanhou o cantor Walter Bandeira e marcou a cena autoral instrumental.
Ao longo de cinco décadas, o percussionista dividiu palcos com Johnny Alf, Leny Andrade, Hermeto Pascoal, João Donato, Toninho Horta, Guinga e Sivuca. A atuação fez dele um dos precursores da percussão na Amazônia. Em 2007, recebeu a condecoração “Waldemar Henrique”, concedida pela Câmara Municipal de Belém.
“Almazônica” e “No Ritmo” também cumprem a função de reinserir no ambiente digital parte da produção instrumental paraense que ficou fora das novas formas de consumo de áudio pela internet. Embora a música instrumental do Pará tenha ganhado força nos anos 1980, os registros em estúdio se expandiram apenas nos anos 2000.
“Minha identidade musical nunca soou sozinha; ela é, na verdade, uma grande roda de tambores construída a muitas mãos e corações”, afirma Dadadá. Além dos dois discos, ele assina com o contrabaixista Ney Conceição o projeto “Solos”, cujo registro audiovisual, gravado em 2020, está disponível no YouTube.


