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Livro documenta colaboração empresarial com a repressão durante a ditadura

Obra de Eduardo Reina e Maria Angélica Ferrasoli reúne documentos sobre empresas, militares e perseguições a trabalhadores entre 1964 e 1985.

Livro documenta colaboração empresarial com a repressão durante a ditadura
Foto: Acervo Pessoal

O livro Repressão Sociedade Anônima – Como banqueiros, fabricantes de veículos e metalúrgicas agiram para reprimir trabalhadores na ditadura militar, de Eduardo Reina e Maria Angélica Ferrasoli, reúne documentos, entrevistas e pesquisas sobre a colaboração empresarial com o aparato repressivo durante a ditadura no Brasil. A obra é publicada pela Alameda Casa Editorial e está em pré-venda no site da editora.

Produzido a partir de arquivos nacionais e internacionais, entrevistas e reportagens, o livro concentra parte da investigação na região do ABC paulista. Entre os documentos apresentados está uma lista inédita do SNI com nomes de chefes militares que ocupavam áreas de segurança em empresas do ABC e da capital, incluindo bancos.

Empresas e estruturas de repressão

A pesquisa também registra a existência de uma unidade do DOPS em São Bernardo, próxima ao Sindicato dos Metalúrgicos. Conhecido como Dopinho do ABC, o local teria sido usado para prisões e torturas. Outro documento detalha o orçamento de um Plano de Mobilização Anti-Insurrecional elaborado durante a criação da Operação Bandeirante (OBAN), com valor superior a R$ 83 milhões, em valores atuais.

O livro descreve episódios de espionagem nas montadoras, entre eles o caso de um bilhete supostamente encontrado pela segurança da Scania no armário de um trabalhador. O episódio resultou na abertura de inquéritos policial e administrativo contra o empregado. Também são relatadas perseguições, circulação de dados pessoais de funcionários entre empresas e órgãos de repressão, prisões e violência dentro dos locais de trabalho.

A investigação aborda o envolvimento de cinco montadoras instaladas no Brasil — Ford, GM, Volkswagen, Scania e Mercedes Benz — com o financiamento de ações de repressão e de militares. A obra trata ainda do Clube Paulista, grupo que reunia empresários e banqueiros e arrecadava recursos para financiar a repressão militar.

Trabalhadores e interesses internacionais

Os autores apresentam registros sobre as condições de produção durante o chamado milagre econômico, incluindo casos de acidentes de trabalho associados à falta de segurança. Depoimentos e documentos também ampliam o conhecimento sobre a perseguição a trabalhadores metalúrgicos dentro e fora das fábricas.

Pesquisas em arquivos internacionais abordam o interesse dos Estados Unidos no cenário político e empresarial brasileiro, a trajetória de Franz Stangl e sua família e uma ação articulada com diplomatas e empresários suecos para impedir a concessão do Prêmio Nobel da Paz a dom Hélder Câmara, arcebispo emérito de Olinda e Recife.

O período analisado vai de 1964 a 1985. Para Eduardo Reina e Maria Angélica Ferrasoli, o livro contribui para investigar as consequências daquele período e para a busca por reparação e justiça.

Texto produzido pela Redação Vozes da Cena com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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