BELÉM — O documentário luso-brasileiro Não Haverá Mais História Sem Nós está em cartaz no Cine Líbero Luxardo até 16 de setembro. Dirigido pela cineasta paraense Priscilla Brasil e coescrito pelo historiador Raphael Uchôa, o filme estreia nos cinemas brasileiros no dia 17 de setembro, com uma abordagem sobre a representação histórica da Amazônia e de sua população dentro e fora do país.
A obra questiona o conceito de vazio demográfico, segundo o qual a floresta seria um território sem história ou habitantes. Ao concentrar a narrativa nos moradores locais, o documentário examina como pessoas, culturas e territórios são reduzidos a elementos de uma paisagem. O filme também discute a formação da imagem da Amazônia, as relações de poder envolvidas em sua representação e as práticas de greenwashing nas discussões sobre preservação ambiental.
“Não Haverá Mais História Sem Nós é um manifesto cinematográfico contra o apagamento histórico e a perspectiva colonial”, afirma Priscilla Brasil. A produção parte da pergunta sobre quem narra a história da Amazônia e o que acontece quando seus habitantes reivindicam o direito de contar essa trajetória.
A direção acompanha, entre a Alemanha e o Brasil, o processo histórico de criação da imagem da floresta e da exploração do território. A proposta é abordar a região para além de leituras centradas em devastação, preservação e emergência climática, reunindo cinema e história a partir do ponto de vista da população local.
O documentário teve estreia mundial no Bali International Film Festival (Balinale) e foi exibido no Brasil pela primeira vez no Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental (FICA), em Goiás, em junho de 2024.
Sessões e equipe
Natural de Belém, Priscilla Brasil trabalha há duas décadas com documentários e videoclipes. Ela cursa doutorado em Pós-Colonialismo na Universidade de Coimbra, onde pesquisa imperialismo e desenvolvimento, e coordena a Escola de Cinema Amazônico (ELA), dedicada à formação e à produção de narrativas indígenas no audiovisual.
Raphael Uchôa integra o Darwin College como Adrian Research Fellow e está vinculado ao Departamento de História e Filosofia da Ciência da Universidade de Cambridge. Sua pesquisa trata do envio de materiais botânicos e etnográficos da Bacia Amazônica para países do Norte Global. Ele também é investigador associado ao projeto ECO, no Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, e coordena, em Cambridge, o grupo Science and its Others: Histories of Ethno-Science. Uchôa fez pós-doutorado na Universidade de Uppsala, na Suécia, e trabalhou no Museu Paraense Emílio Goeldi, em Belém.
As sessões ocorrem no Cine Líbero Luxardo, na Av. Gentil Bittencourt, 650, no bairro Nazaré, em Belém. No dia 15, a exibição será às 19h55; no dia 16, às 18h15.


