Morreu nesta terça-feira (22), aos 95 anos, o jornalista, escritor e membro da Academia Brasileira de Letras (ABL) Zuenir Ventura. Familiares confirmaram que ele morreu em sua residência na capital fluminense. O autor deixa a esposa, Mary Ventura, dois filhos e dois netos.
Nascido em Além Paraíba (MG) em 1931, Zuenir construiu uma trajetória de mais de cinco décadas entre o jornalismo e a literatura. Seu trabalho combinou apuração jornalística e escrita literária, especialmente em livros-reportagem que registraram acontecimentos e conflitos da história recente do Brasil.
Entre suas obras está 1968 – O Ano que Não Terminou, dedicado aos embates políticos e às transformações culturais durante a ditadura militar no Brasil. O escritor também publicou Cidade Partida (1994), vencedor do Prêmio Jabuti, sobre as raízes da violência urbana no Rio de Janeiro.
Em Chico Mendes — Crime e Castigo, Zuenir abordou o assassinato do líder ambientalista. O livro recebeu os prêmios Esso e Vladimir Herzog.
Academia e educação
Zuenir foi eleito para a ABL em 2014 e ocupava a cadeira de número 32, sucedendo o dramaturgo Ariano Suassuna. Em agosto de 2026, a academia exibiu o documentário Mestre Zu, homenagem aos seus 95 anos e à contribuição do escritor para a cultura e a educação do país.
Além da atividade literária, ele atuou como professor por quarenta anos. A morte provocou homenagens no meio cultural e jornalístico, que destacou sua ética profissional e o tom humanista de seus textos.
Os detalhes do velório ainda estavam sendo definidos pela família. A cerimônia é tradicionalmente realizada no Salão Nobre do Petit Trianon, na sede da ABL.


