RIO DE JANEIRO — O espetáculo “Olga” encerra sua temporada no Teatro Vianinha, no Armazém da Utopia, com uma aula aberta e gratuita de Anita Leocádia Prestes, filha de Olga Benario Prestes e Luiz Carlos Prestes. O encontro será realizado em 27 de setembro, às 17h, um dia antes do fim da temporada.
A atividade ocorrerá quatro dias depois da data que marca os 90 anos da deportação de Olga para a Alemanha nazista, em 23 de setembro de 1936. Grávida, ela foi levada pelo governo brasileiro a bordo do navio La Coruña. Anita nasceu na Alemanha, em novembro de 1936. Olga foi assassinada em uma câmara de gás no campo de extermínio de Bernburg, em 1942.
Teatro documentário e memória
Com dramaturgia e direção de Luiz Fernando Lobo, “Olga” utiliza documentos históricos, arquivos e testemunhos para revisitar a trajetória da militante. Tuca Moraes interpreta a personagem ao lado dos atores do núcleo artístico da Companhia Ensaio Aberto.
A montagem se insere na tradição do teatro documentário, associada a Erwin Piscator e desenvolvida por Peter Weiss. A encenação investiga registros históricos, questiona narrativas consolidadas e aborda acontecimentos de um período da história brasileira marcado por conflitos políticos e repressão.
A temporada acontece na Zona Portuária do Rio, região de onde Olga foi deportada há 90 anos. A Companhia Ensaio Aberto leva ao palco a história da militante no mesmo território relacionado à sua partida para a Alemanha nazista.
Trajetória de Olga Benario Prestes
Nascida em Munique, em 1908, Olga começou a atuar no movimento comunista durante a adolescência. Aos 16 anos, já militava politicamente. Depois, foi treinada em Moscou como agente do Comintern, a Internacional Comunista, e veio ao Brasil nos anos 1930 em missão política ao lado de Luiz Carlos Prestes.
Presa em 1936, foi deportada por ordem do governo de Getúlio Vargas. Em 1935, havia chegado ao Brasil como segurança de Prestes. Em 5 de março de 1936, quando a polícia encontrou o esconderijo do casal no Méier, Olga se colocou diante de Prestes e o protegeu.
Anita sobreviveu graças a uma mobilização internacional. “Sou filha da solidariedade internacional”, costuma dizer.
A equipe artística reúne J.C. Serroni, responsável pelo cenário; Beth Filipecki e Renaldo Machado, pelos figurinos; Cesar de Ramires, pela iluminação; Felipe Radicetti, pela direção musical e trilha original; e Aninha Barros, pela produção executiva.


