RECIFE — A nove dias do primeiro turno, Luiz Inácio Lula da Silva fará uma visita a Pernambuco nesta sexta-feira, 25, com uma estratégia de cautela diante da disputa pelo governo estadual. O presidente terá agenda com João Campos (PSB), ex-prefeito do Recife e candidato apoiado oficialmente por Lula, mas pretende manter canais abertos com a governadora Raquel Lyra (PSD), que lidera as pesquisas recentes.
Embora não esteja prevista uma reunião entre Lula e a governadora, o presidente do PT, Edinho Silva, deverá atuar como emissário para transmitir a Raquel Lyra o sinal de que o Palácio do Planalto não abandonou sua candidatura. A avaliação da campanha petista é que críticas diretas neste momento poderiam aproximá-la de Flávio Bolsonaro (PL).
A preocupação com a fala sobre laqueadura
A cautela se relaciona à declaração de Raquel Lyra sobre a possibilidade de fazer uma laqueadura, sem que ela soubesse, em uma mulher grávida do oitavo filho. O vídeo foi gravado durante a inauguração da ala pediátrica de um hospital em Garanhuns (PE), cidade onde Lula nasceu, e divulgado posteriormente. As imagens são antigas, mas repercutiram na campanha da governadora à reeleição.
A realização de esterilização sem o consentimento da mulher é crime no Brasil. O episódio levou a cúpula da campanha petista a orientar Lula a medir as palavras no palanque no Recife. Entre os aliados, há receio de que Janja da Silva, defensora dos direitos das mulheres, retome o tema durante a passagem pelo estado e prejudique a estratégia eleitoral.
A equipe de Lula também considera que uma declaração do presidente no Piauí teve efeito negativo. Na ocasião, ele fez uma referência indireta ao senador Ciro Nogueira, presidente nacional do PP e candidato à reeleição ao Senado, ao chamá-lo de vira-lata. O episódio provocou a reação do parlamentar e, na avaliação de aliados, o deixou próximo de apoiar Flávio Bolsonaro no segundo turno.
Lula aparece com 58% das intenções de voto em Pernambuco no segundo turno, contra 25% de Flávio Bolsonaro, conforme a Quaest. Mesmo com essa vantagem, estrategistas do PT avaliam que a disputa presidencial, considerada apertada, não permite a perda de apoios consolidados.

