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Os rótulos da escola podem continuar ativos muito depois da adolescência

Pesquisas associam popularidade, rejeição e status na adolescência a relacionamentos, saúde e formas de interpretar interações na vida adulta.

Os rótulos da escola podem continuar ativos muito depois da adolescência
Foto: Emmanuel Lafont/BBC

A posição ocupada por uma pessoa na vida social da escola pode continuar influenciando sua trajetória muito depois da adolescência. Pesquisas citadas pelo psicólogo Mitch Prinstein relacionam as experiências de aceitação, rejeição e status a vínculos amorosos, satisfação com a vida, saúde e maneira de interpretar encontros sociais.

Prinstein, professor de psicologia da Universidade da Carolina do Norte em Chapel Hill, nos Estados Unidos, conversou com centenas de pessoas sobre o ensino médio. Segundo ele, as lembranças dos estudantes que dominavam os corredores permanecem especialmente acessíveis: mesmo décadas depois, muitas pessoas se recordam do nome do aluno mais popular de seu ano com mais facilidade do que dos nomes de professores e colegas. A observação aparece em seu livro de 2017, Popular: The Power of Likability in a Status-Obsessed World.

Cinco formas de ocupar um lugar no grupo

A compreensão científica dessas posições mudou com os estudos do psicólogo americano John Coie, realizados no início dos anos 1980. Ele pediu a crianças que respondessem de quem mais gostavam e de quem menos gostavam entre os colegas. A partir das respostas, identificou que visibilidade social não se resumia a ser querido ou rejeitado.

Coie propôs cinco categorias: aceitas, rejeitadas, controversas, negligenciadas e medianas. As controversas recebiam muitas menções positivas e negativas; as negligenciadas quase não apareciam nas respostas; e as medianas não se destacavam em nenhuma direção. Estudos posteriores indicaram que cerca de 40% das crianças eram classificadas como medianas, enquanto 60% pertenciam às outras categorias.

Os rótulos também podiam atravessar mudanças de ambiente. Uma pesquisa constatou que cerca de metade das crianças mantinha, cinco anos depois, no ensino médio, a classificação recebida no ensino fundamental. As mais queridas tendiam a ser vistas como gentis, incentivadoras e solidárias. Já as rejeitadas podiam ser agressivas e praticar bullying ou, no extremo oposto, apresentar pouca assertividade, ansiedade social e sofrer bullying.

Quando status e simpatia deixam de ser a mesma coisa

A dinâmica se altera no ensino médio. No ensino fundamental, a popularidade costuma acompanhar comportamentos valorizados pelos adultos e o desempenho escolar. Mais tarde, estudantes rebeldes, divisivos ou dispostos a desafiar normas podem conquistar maior visibilidade, enquanto alunos dedicados passam a ser associados ao estereótipo do nerd.

A busca por status também pode envolver comportamentos pseudomaduros, como beber álcool, usar drogas e iniciar precocemente relações românticas. Essas atitudes tendem a conferir popularidade por algum tempo, mas deixam de produzir o mesmo efeito por volta dos 15 anos. À medida que os adolescentes amadurecem, a simpatia recupera importância na posição social.

Prinstein distingue os dois processos: ser querido se associa a resultados positivos na saúde, no trabalho, na vida acadêmica e na saúde psicológica; o alto status, isoladamente, pode produzir efeitos opostos. Para ele, as experiências sociais da infância podem continuar influenciando uma pessoa mesmo 40 anos depois.

A cultura escolar também é organizada por panelinhas. Um estudo de 1985 apontou que cerca de 45% dos alunos do ensino médio se definiam simplesmente como normais, sem aderir a uma subcultura específica. No início dessa etapa, as fronteiras entre os grupos tendem a ser rígidas, mas elas podem se flexibilizar perto da conclusão da escola.

O pesquisador David Kinney observou, no início dos anos 1990, antigos nerds fazendo a transição para o grupo dos normais. Para ele, o desenvolvimento cognitivo ajuda os adolescentes a reduzir a autoconsciência e a se aproximar de colegas que oferecem retorno positivo. Nos últimos anos escolares, estudantes de aparência extravagante e comportamento turbulento também podiam desafiar os grupos que concentravam a popularidade.

O passado como modelo para o presente

A intensidade desse período ajuda a explicar por que suas experiências permanecem ativas. Lucy Foulkes, psicóloga da Universidade de Oxford, no Reino Unido, afirma que os adolescentes convivem quase diariamente com as mesmas pessoas durante anos, em uma condição que, fora da vida adulta, teria paralelo apenas no exército ou na prisão.

Prinstein sustenta que as pessoas podem recorrer às experiências dos 14 anos como um modelo para interpretar o mundo social. Esse modelo mental, formado desde a infância, influencia a leitura de comportamentos e pode fazer com que alguém se concentre em sinais que confirmem expectativas negativas. A consequência seria uma profecia autorrealizável: a pessoa age de modo defensivo e acaba favorecendo novas experiências ruins.

A pesquisa de Joseph Allen ajuda a dimensionar essa relação. Em um estudo de 2015, ele acompanhou 184 adolescentes do sudeste dos Estados Unidos dos 13 aos 23 anos. Jovens obcecados por status que adotavam comportamentos pseudomaduros no início da adolescência apresentaram maior risco de dificuldades duradouras em relações próximas e de comportamentos criminosos. A iniciação precoce ao álcool e às drogas esteve associada à vulnerabilidade ao abuso de substâncias e a problemas de dependência mais tarde.

A rejeição também pode desencadear um ciclo de isolamento e intensificação dos sentimentos de rejeição, segundo a pesquisa de Prinstein. Em contrapartida, ser aceito aparece como um dos indicadores mais fortes de resultados positivos, incluindo carreira bem-sucedida, boa saúde e relacionamentos sólidos, mesmo quando comparado a inteligência e origem socioeconômica.

Isso não significa que a rejeição determine o futuro. Pessoas rejeitadas podem desenvolver maior capacidade de perceber o que os outros sentem e de identificar situações de maus-tratos. Além disso, ter um ou dois bons amigos na adolescência pode proteger a vida social posterior e fortalecer relacionamentos futuros.

Atualizar os modelos formados na escola é uma possibilidade. Interpretar um comentário ambíguo como algo que talvez não tivesse a intenção de ferir, por exemplo, pode abrir espaço para experiências sociais diferentes. A mudança, porém, exige reconhecer os padrões e evitar que os rótulos antigos continuem orientando cada nova relação.

Texto produzido pela Redação Vozes da Cena com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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