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Jovem brasileiro é mandado de volta após retornar de intercâmbio em Portugal

Kauê Matos, de 19 anos, afirma que ficou quatro dias retido no aeroporto de Lisboa antes de ser enviado ao Brasil.

Jovem brasileiro é mandado de volta após retornar de intercâmbio em Portugal
Foto: Armando Franca/AP Photo

O estudante brasileiro Kauê Matos, de 19 anos, foi enviado de volta ao Brasil ao retornar a Portugal depois de um intercâmbio na Irlanda. Ele afirma que permaneceu quatro dias em uma sala no aeroporto internacional de Lisboa, sem informações claras sobre a situação e sem conseguir falar adequadamente com os pais.

Matos está na casa da avó, em Ribeirão Preto (SP), e teme não chegar a tempo do início do semestre letivo português, previsto para a segunda metade de setembro. Ele cursa o ensino médio em Portugal e vivia no país desde os 17 anos, quando se mudou com a família.

Processo de regularização

Os pais de Kauê haviam solicitado a regularização por meio da chamada “manifestação de interesse”. A previsão inicial era que os pedidos fossem analisados em até 90 dias, conforme a legislação vigente à época. Depois disso, o estudante pediria autorização para permanecer no país por meio de reagrupamento familiar.

O processo, porém, demorou mais que o esperado. A autorização para a permanência da mãe foi concedida no começo de 2026. A decisão referente ao pai saiu em 5 de agosto, data em que Kauê foi deportado. Outra possibilidade seria solicitar uma autorização de residência como estudante.

Para isso, o jovem precisava preencher um formulário que não estava disponível no site da Agência para a Integração, Migrações e Asilo (Aima). A família tentou obter atendimento por telefone e por e-mail, mas não recebeu resposta. Os pais disseram que não tinham recursos para contratar um advogado e recorrer à Justiça naquele momento.

Retenção no aeroporto

Kauê havia viajado para a Irlanda com uma bolsa obtida por meio da escola onde estuda. Ao voltar, foi interceptado no aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa. Ele relatou que dividiu a sala de retenção com outros imigrantes e descreveu o espaço como sujo, com mau cheiro, cobertas sujas e camas semelhantes a macas de hospital. No primeiro dia, preferiu dormir sentado em uma cadeira.

Havia refeições durante o dia, mas não era possível tomar banho. A mãe conseguiu visitá-lo somente depois de dois dias, em razão das dificuldades de comunicação provocadas pela conexão ruim de internet no aeroporto.

Em uma das ocasiões, o estudante foi levado a um avião com destino a Guarulhos e só descobriu que seria deportado depois de entrar na aeronave. Ele acabou retirado antes da decolagem e conduzido novamente à sala de retenção. Mais tarde, foi chamado para embarcar outra vez. Policiais recolheram seu celular e seu passaporte, guardaram os objetos em um envelope e informaram que eles seriam devolvidos após o desembarque em Guarulhos.

Antes de entregar o telefone, Kauê enviou uma última mensagem aos pais, pedindo que tentassem impedir a deportação. A família e o advogado afirmam que não foram comunicados oficialmente sobre a medida nem receberam informações sobre o voo.

Em 6 de agosto, um dia depois do envio do estudante ao Brasil, a Justiça portuguesa autorizou seu retorno a Portugal e determinou que os mesmos argumentos usados para detê-lo não fossem aplicados novamente. A família teme retaliação das autoridades portuguesas. O advogado agora avalia como obter um visto de estudante, mas teme que a autorização não seja concedida antes do reinício do ano letivo.

Texto produzido pela Redação Vozes da Cena com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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