SÃO PAULO — Felipe Andreoli afirmou que o hiato anunciado pelo Angra no fim de 2024 não foi criado para afastar Fabio Lione. Em entrevista ao jornalista Igor Miranda, com participação do guitarrista Marcelo Barbosa, o baixista disse que a pausa tinha como objetivo reorganizar a banda e tentar manter o vocalista. A conversa foi gravada antes dos shows especiais do grupo no Tokio Marine Hall, em São Paulo.
A interrupção durou cerca de sete meses, menos do que o previsto. Marcelo Barbosa relatou que o grupo mantinha, desde sua entrada, em 2015, uma rotina de turnês, composição e gravações. O convite para o Angra ser headliner do Bangers Open Air, com músicos ligados à era “Rebirth”, antecipou a volta aos palcos. O guitarrista também negou que o hiato tivesse sido planejado para aumentar a venda de ingressos.
Andreoli afirmou que parte do público interpretou os acontecimentos na ordem inversa. “A intenção do hiato era muito genuína, de um descanso, de um tempo para reorganizações”, disse. Segundo ele, um dos motivos da pausa era avaliar a relação interna do grupo, que já enfrentava dificuldades, especialmente com Lione.
O baixista também explicou que o silêncio durante o período alimentou especulações. Havia uma cláusula de confidencialidade relacionada ao festival, o que restringia as declarações públicas da banda. “Você está vendo as pessoas falando coisas que são inverídicas e não pode responder”, afirmou.
Mesmo após a saída do vocalista, Andreoli destacou a importância do trabalho realizado com Lione. O italiano havia chegado ao Angra como convidado de um show no cruzeiro 70000 Tons of Metal, por sugestão do organizador. Antes disso, a banda chegou a planejar com a MTV um reality show para escolher um vocalista, mas o projeto não avançou.
O baixista citou o álbum “Cycles of Pain” como um momento de amadurecimento da relação entre os integrantes e dos processos de composição. Também declarou gratidão pelo período em que Lione permaneceu no grupo.
Atualmente, Alírio Netto ocupa o posto de vocalista. Amigo dos integrantes há cerca de 30 anos, ele é apontado por Andreoli como um nome que o baixista já teria escolhido 13 anos atrás. A turnê pelos 30 anos de “Holy Land” chega nesta sexta-feira (2) ao Tokio Marine Hall, com participação de Luis Mariutti, baixista que gravou o disco. No sábado (3), Edu Falaschi participa da celebração de “Rebirth”. Ricardo Confessori foi convidado, mas preferiu não integrar a programação. A agenda termina em 25 de outubro, em um festival no Japão com Falaschi e Kiko Loureiro.


