A amizade entre U2 e R.E.M. começou durante uma turnê europeia em 1985 e levou Bono a reconhecer no grupo de Athens, na Geórgia, uma representação dos Estados Unidos distante daquela mais recorrente no rock. A relação foi lembrada pelo vocalista do U2 em seu livro Surrender: 40 Songs, One Story.
Na obra, Bono dedica espaço a Michael Stipe, Peter Buck, Mike Mills e Bill Berry, integrantes de uma banda que começou a ganhar projeção no circuito universitário americano. Para o cantor irlandês, o impacto do R.E.M. estava especialmente na maneira como Stipe escrevia sobre o próprio país.
“As letras de Michael Stipe mudaram a maneira como enxergávamos a América”, escreveu Bono. Ele também afirmou que o R.E.M. levou pessoas de todo o mundo a querer conhecer Athens, cidade que se tornou associada à trajetória do grupo.
Da cena universitária ao reconhecimento internacional
Formado no início dos anos 1980, o R.E.M. chamou atenção com “Radio Free Europe”, single lançado em 1981. A canção combinava guitarras inspiradas no rock dos anos 1960 com uma abordagem diferente da predominante nas rádios daquele período.
A banda alcançou sucesso mundial principalmente a partir do fim dos anos 1980 e do início dos 1990, impulsionada por discos como “Out of Time” e “Automatic for the People”. Na avaliação de Bono, a relevância do conjunto não se limitava ao alcance desses trabalhos: o R.E.M. havia transformado uma pequena cidade da Geórgia em referência para ouvintes de diversos países.
A proximidade entre os músicos também produziu uma apresentação conjunta. Em 1993, Adam Clayton e Larry Mullen Jr., do U2, tocaram “One” ao lado de Michael Stipe e Mike Mills em um evento ligado à posse de Bill Clinton. O grupo formado para a ocasião recebeu o nome de Automatic Baby, combinação de Automatic for the People e Achtung Baby, títulos de álbuns das duas bandas.

